quinta-feira, 30 de julho de 2026

A IDEIA DAS CANDIDATURAS AVULSAS SEGUE VIVA E PODE MUDAR O JOGO NA DISPUTA PELO SENADO EM PERNAMBUCO


O esboço político da base da governadora Raquel Lyra (PSD) ainda está longe de estar completamente montado. Embora as convenções partidárias deste fim de semana devam oficializar os nomes que irão disputar as eleições de 2026, um cenário que parecia descartado há algumas semanas continua vivo nos bastidores: a possibilidade de candidaturas avulsas ao Senado dentro da própria base governista.

A proposta surgiu durante as conversas entre o PSD e a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. Na ocasião, Raquel Lyra apresentou uma alternativa para tentar acomodar os interesses dos aliados sem provocar um rompimento interno. A ideia previa que o PSD lançasse o deputado federal Túlio Gadelha ao Senado, enquanto a federação indicasse Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e presidente estadual do União Brasil.

Havia ainda uma segunda hipótese colocada sobre a mesa: caso não houvesse entendimento dentro da federação, Miguel Coelho e Eduardo da Fonte poderiam disputar o Senado de forma avulsa, ou seja, concorrendo sem integrar oficialmente a chapa majoritária da governadora.

Naquele momento, a proposta encontrou forte resistência e parecia ter sido deixada de lado. Entretanto, o avanço das negociações mostrou que o impasse está longe de uma solução definitiva.

O próximo sábado promete ser decisivo. O União Brasil realizará sua convenção para homologar a candidatura de Miguel Coelho ao Senado. Já o Progressistas fará sua convenção indicando o deputado federal Eduardo da Fonte para a mesma disputa. Na prática, os dois partidos da mesma federação caminham para lançar candidaturas próprias, evidenciando que o consenso ainda não foi alcançado.

Apesar desse quadro, a posição da governadora nunca foi um segredo. Raquel Lyra tem demonstrado preferência política por Miguel Coelho, considerado uma peça importante na estratégia eleitoral governista e um aliado de primeira hora na construção da chapa majoritária.

O problema é que a federação funciona como uma única estrutura partidária nas eleições, o que torna a definição ainda mais delicada. Sem acordo entre União Brasil e PP, cresce a possibilidade de que nenhum dos dois seja oficialmente o candidato da chapa de reeleição, abrindo espaço para um desenho diferente daquele inicialmente imaginado.

Em entrevista ao Diário de Pernambuco, o copresidente nacional da federação União Progressista, senador Ciro Nogueira, foi direto ao defender que apenas um nome represente a federação na corrida ao Senado. Sua preferência também foi explicitada: Eduardo da Fonte. A declaração reforça que a disputa não acontece apenas em Pernambuco, mas também envolve a direção nacional da federação, que busca evitar divisões internas em um momento decisivo da campanha.

Enquanto isso, nos bastidores, ganha força um cenário que até pouco tempo parecia improvável. Caso o entendimento realmente não aconteça, a chapa oficial da governadora poderá contar apenas com Túlio Gadelha como candidato ao Senado, enquanto Miguel Coelho e Eduardo da Fonte disputariam a eleição de forma independente, preservando suas candidaturas, mas sem ocupar oficialmente o espaço reservado à coligação majoritária.

A poucos dias das convenções, o quebra-cabeça ainda está sendo montado. O que parecia uma discussão superada voltou ao centro das articulações políticas e pode redefinir completamente a estratégia da base governista para uma das disputas mais importantes das eleições de 2026 em Pernambuco. O desfecho dependerá da capacidade de diálogo entre os partidos e da disposição de cada liderança em abrir espaço para um acordo que, até agora, continua distante.

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