quinta-feira, 9 de julho de 2026

DEBANDADA SOCIALISTA FORTALECE RAQUEL E REDESENHA O MAPA POLÍTICO DE PERNAMBUCO

A política pernambucana vive uma silenciosa, porém profunda, transformação nos bastidores. Enquanto o debate público muitas vezes se concentra na disputa entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), um movimento estratégico vem alterando a correlação de forças no interior do Estado: a migração de prefeitos eleitos pelo PSB para a base política da chefe do Executivo estadual.

Em pouco mais de três anos do atual ciclo político, onze gestores municipais que conquistaram seus mandatos pela legenda socialista passaram a integrar o grupo liderado por Raquel Lyra. Em muitos casos, a mudança foi formalizada por meio da filiação ao PSD; em outros, pelo alinhamento político com o Governo do Estado. O resultado é o fortalecimento da presença governista nos municípios e uma nova configuração do tabuleiro eleitoral para 2026.

A lista dos prefeitos que deixaram o PSB para integrar o PSD reúne nomes de diferentes regiões de Pernambuco:

  • Camila Souza (Iati)

  • Nego do Mercado (Capoeiras)

  • Gilberto Ribeiro (Flores)

  • Lindonaldo da Farinha (Frei Miguelinho)

  • Zé Martins (João Alfredo)

  • Carol Jordão (Ribeirão)

  • Jeyson Falcão (Primavera)

  • Zé Roberto (Ferreiros)

  • Corrinha de Geomarco (Dormentes)

  • Dr. Evaldo Bezerra (Mirandiba)

  • Juarez da Banana (Machados)

As adesões não são encaradas nos bastidores apenas como mudanças partidárias. Elas simbolizam uma disputa direta pela capilaridade política no interior, onde os prefeitos exercem papel decisivo na construção de palanques e na mobilização eleitoral.

Desde que assumiu o comando do PSD em Pernambuco, Raquel Lyra acelerou um processo de expansão da legenda. O partido ultrapassou a marca de 60 prefeitos filiados e consolidou-se como uma das maiores forças políticas municipais do Estado, impulsionado pela chegada de gestores oriundos de diversas siglas, inclusive do próprio PSB. 

O crescimento da base governista vai além das filiações. Levantamentos políticos apontam que Raquel Lyra conta atualmente com o apoio de mais de 140 prefeitos pernambucanos, formando uma ampla rede de sustentação institucional. Do outro lado, João Campos mantém uma base estimada em cerca de 40 prefeitos, preservando forte influência, especialmente em áreas estratégicas, mas enfrentando o desafio de conter o avanço do PSD no interior. 

Nos corredores da política, a avaliação é de que a disputa entre Raquel Lyra e João Campos deixou de ser apenas uma batalha de popularidade para se transformar em uma intensa corrida pela ocupação dos municípios. Cada filiação, cada aliança e cada novo apoio passam a ter peso estratégico na montagem das chapas e na construção das alianças que deverão definir o cenário eleitoral de 2026.

O movimento também evidencia uma característica tradicional da política pernambucana: prefeitos costumam buscar proximidade com o governo estadual em busca de investimentos, obras e maior interlocução administrativa. Nesse contexto, a força da máquina estadual tem desempenhado papel relevante na reorganização das alianças.

Se por um lado o PSB continua sendo uma das principais forças políticas de Pernambuco, liderado por João Campos, por outro o PSD de Raquel Lyra consolidou uma musculatura inédita no interior, transformando a disputa entre os dois grupos em um verdadeiro jogo de xadrez político, no qual cada prefeito conquistado representa uma peça importante para a eleição que se aproxima.

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