No centro das negociações está a composição da chapa majoritária. Na última reunião entre ambos, realizada na semana passada, Raquel apresentou uma alternativa que previa três candidaturas ao Senado: o deputado Túlio Gadelha representando o PSD e, pela Federação União Progressista, Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho. A proposta também previa uma coligação apenas para a disputa do Governo do Estado, deixando os candidatos ao Senado livres para disputarem de forma independente.
A ideia, entretanto, não encontrou respaldo na direção da federação. Eduardo da Fonte reafirmou que tanto a hipótese de três candidaturas ao Senado quanto a possibilidade de uma coligação restrita ao Governo do Estado estão completamente descartadas. A posição endurece as negociações e obriga o Palácio do Campo das Princesas a buscar uma solução que contemple os interesses dos aliados antes da oficialização das convenções.
O fator tempo também aumenta a pressão. Como a convenção da Federação União Progressista acontecerá três dias após a convenção do PSD, será necessário que exista um entendimento político prévio para evitar conflitos na homologação das candidaturas e possíveis desgastes entre os partidos que integram a base governista.
A negociação ocorre em um momento delicado para Raquel Lyra. A recente saída da Federação PRD/Solidariedade do campo governista para apoiar a candidatura de João Campos reduziu significativamente a margem de manobra da governadora e tornou a permanência da União Progressista ainda mais estratégica.
Além do peso político, está em jogo o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Atualmente, com a União Progressista integrando sua aliança, o grupo de Raquel soma 196 deputados federais, contra 207 da coligação liderada por João Campos, mantendo um equilíbrio razoável na distribuição do horário eleitoral. Porém, caso a federação também deixe a base governista, esse número cairia para apenas 90 parlamentares, reduzindo drasticamente a participação de Raquel no guia eleitoral para cerca de 30% do tempo, enquanto João Campos passaria a concentrar aproximadamente 60% da propaganda gratuita.
Mais do que discutir nomes para o Senado, a reunião entre Raquel Lyra e Eduardo da Fonte passa a ser decisiva para medir a capacidade de articulação política da governadora na reta final das convenções. O desfecho poderá definir não apenas a composição da chapa governista, mas também o equilíbrio de forças na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas em 2026.
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