segunda-feira, 6 de julho de 2026

ENTRE O CHORO DE NEYMAR E UM JEEP 1952, UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA

Neste fim de semana, duas cenas ficaram gravadas na minha memória. À primeira vista, elas não têm nenhuma ligação. Mas, quanto mais pensei nelas, mais percebi que falavam exatamente sobre a mesma coisa: essência.

De um lado, o choro de Neymar após mais uma eliminação do Brasil. Não enxergo apenas a dor de um jogador. Vejo o sentimento de uma geração inteira que, muitas vezes, foi ensinada a acreditar que talento, fama, dinheiro, tecnologia e estrutura seriam suficientes para vencer qualquer desafio. Só que a vida, assim como o futebol, continua lembrando que existe algo muito mais valioso do que tudo isso: caráter, coragem, entrega, humildade e alma.

Do outro lado, vi meu irmão, Edmar, encarando a famosa Trilha do Lobisomem, no Festival do Jeep de Garanhuns. Em seu Jeep Willys vermelho, ano 1952, praticamente sem luxo, sem grandes recursos e sem a tecnologia presente em veículos que custam centenas de milhares de reais, ele avançou por obstáculos onde muitos ficaram pelo caminho. Enquanto máquinas modernas dependiam de sensores, equipamentos e eletrônica, aquele velho Jeep mostrou que, quando existe determinação, experiência e confiança, o impossível começa a perder força.

Aquilo não era apenas uma trilha. Era uma metáfora da vida.

Percebi que, muitas vezes, nós também olhamos para os nossos "Golias" e nos convencemos de que eles são grandes demais para serem enfrentados. Foi assim que Davi surpreendeu o mundo. Foi assim que um Jeep de 1952 mostrou que idade e simplicidade nunca serão sinônimos de fraqueza. E é assim que qualquer pessoa descobre sua verdadeira força: quando decide não fugir do desafio.

Talvez a maior lição deste fim de semana seja justamente essa. Nossa essência jamais pode ser substituída pelo conforto. Nossa coragem não pode ser vencida pela aparência de superioridade do adversário. A verdadeira força não mora naquilo que possuímos, mas naquilo que somos.

Nem sempre venceremos. O esporte ensina isso. A vida também. Mas cada derrota precisa deixar um ensinamento maior do que a tristeza que provoca. E talvez o Brasil, assim como cada um de nós, precise reaprender que a grandeza nasce primeiro no coração, depois na mente e, por fim, nas conquistas.

Saio deste fim de semana sem reclamações. Saio com muitas reflexões. Agradecido por entender que a vida continua mostrando, das formas mais diferentes, que a simplicidade ainda vence a soberba, que a coragem ainda supera o medo e que a essência continua sendo a maior tecnologia que um ser humano pode carregar.

Que a semana comece nos lembrando de nunca perder quem realmente somos. Porque é justamente quando tudo parece difícil que descobrimos a força que sempre esteve dentro de nós.

Ótima semana a todos.

Edney Souto 

Nenhum comentário: