sexta-feira, 17 de julho de 2026

FENEARTE MOSTRA QUE A ARTE POPULAR TEM PREÇO PARA TODOS OS BOLSOS, COM PEÇAS DE R$ 10 A R$ 100 MIL

Quem pensa que a Fenearte é um evento apenas para admirar o artesanato de longe se engana. A 26ª edição da Feira Nacional de Negócios do Artesanato, realizada no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, comprova que a maior feira de artesanato da América Latina consegue atender desde quem deseja levar uma pequena lembrança para casa até colecionadores e apreciadores de grandes obras de arte popular.

Com milhares de expositores reunidos até este domingo (19), a feira oferece um verdadeiro mergulho na cultura brasileira. O visitante encontra peças produzidas por mestres artesãos, artistas populares, estilistas, designers e comunidades tradicionais, em uma diversidade que também se reflete nos preços. Há opções que começam em apenas R$ 10 e chegam a impressionantes R$ 100 mil.

Logo na entrada da tradicional Alameda dos Mestres, um dos espaços mais visitados da Fenearte, os famosos boizinhos de barro da Família Zé Caboclo continuam encantando gerações. Vendidos por R$ 10, eles carregam uma rica herança cultural inspirada no reisado, no Bumba Meu Boi, no maracatu e em outras manifestações do folclore nordestino. As peças preservam a técnica criada por José Antônio da Silva, o Mestre Zé Caboclo, um dos maiores nomes do barro pernambucano e contemporâneo do lendário Mestre Vitalino.

Ainda entre as opções acessíveis, os visitantes podem adquirir por cerca de R$ 100 uma das xilogravuras produzidas pelo Mestre Wagner Porto. Há mais de três décadas atuando como xilógrafo e mamulengueiro em Olinda, ele transformou suas gravuras em um dos maiores sucessos de vendas da feira, levando para o público obras carregadas de identidade nordestina.

Já quem procura peças exclusivas e de alto valor artístico encontra verdadeiras preciosidades espalhadas pelos corredores da Fenearte. Um dos destaques são os vestidos confeccionados pela Mestra Francisca Xukuru, estreante na Alameda dos Mestres. Produzidas em renda renascença com linha 100% algodão, as peças exigem até cinco meses de trabalho artesanal, reunindo delicadeza, tradição e sofisticação.

Outro destaque é a emblemática Carranca-Vampiro, do Mestre Bitinho, comercializada por R$ 10 mil. A obra, criada originalmente na década de 1970 em Juazeiro, tornou-se um dos maiores símbolos da arte em madeira do Nordeste, marcada pelos olhos pontiagudos e pela forte inspiração em elementos da cultura indígena e sertaneja.

No topo da lista das obras mais valiosas desta edição está o impressionante Totem do Cangaço, assinado pelo Mestre Roberto Vital. Avaliada em R$ 100 mil, a escultura foi produzida em um único tronco de madeira reaproveitada e reúne cenas que retratam Lampião, Maria Bonita e diversos personagens do cangaço. Cada detalhe é esculpido manualmente durante um processo que pode levar até cinco meses de trabalho.

Segundo a diretora-presidente interina da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), Roberta Andrade, a diversidade é justamente uma das maiores marcas da Fenearte.

"A riqueza da Fenearte está justamente na sua diversidade. São milhares de peças produzidas com diferentes técnicas e materiais, tornando a arte popular acessível para todos os públicos e valorizando o trabalho dos nossos mestres e artesãos", destacou.

Além da comercialização de artesanato, a programação segue intensa até o encerramento da feira. O público pode participar das tradicionais Conversas Instigantes, oficinas práticas, aulas-show na Cozinha Fenearte e apresentações culturais que acontecem durante todo o dia no Palco Pernambuco Meu País.

Entre os destaques da programação estão debates sobre inovação sustentável no uso do couro, oficinas voltadas para todas as idades, demonstrações gastronômicas comandadas por chefs e cozinheiros pernambucanos e apresentações de maracatus, bois, blocos carnavalescos, orquestras e artistas da música regional.

A edição de 2026 presta uma homenagem especial aos seleiros pernambucanos com o tema "Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma", valorizando profissionais que transformam o couro em arte, moda e tradição. Mestres como Zé Venceslau, Irineu do Mestre e Fafá Belém representam essa riqueza cultural que atravessa gerações e fortalece a economia criativa do Estado.

A organização também reforçou os investimentos em acessibilidade, oferecendo visitas guiadas adaptadas para pessoas com deficiência visual, pessoas surdas e visitantes neurodivergentes. O transporte gratuito a partir de diversos shoppings da Região Metropolitana do Recife foi mantido, facilitando o acesso ao evento.

Mais do que uma feira de negócios, a Fenearte reafirma seu papel como uma grande vitrine da identidade cultural brasileira. Em cada estande, o visitante encontra histórias, técnicas tradicionais e manifestações artísticas que atravessam gerações, mostrando que a cultura popular pode ser apreciada por todos — seja adquirindo um pequeno boizinho de barro por R$ 10 ou contemplando uma escultura monumental avaliada em R$ 100 mil.

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