quarta-feira, 22 de julho de 2026

FLÁVIO VOLTA A LEVANTAR DÚVIDAS SOBRE URNAS, É DESMENTIDO PELO TSE E ELEVA TENSÃO POLÍTICA

A estratégia adotada pelo senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), de voltar a abordar o sistema eleitoral brasileiro diante de representantes diplomáticos estrangeiros provocou uma reação imediata do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesta quarta-feira (22), a Corte reafirmou que são falsas as declarações que associam as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic, repetindo um esclarecimento oficial divulgado originalmente em 2022.

A decisão de republicar o comunicado foi autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques após as declarações feitas por Flávio durante encontro com diplomatas realizado na terça-feira (21). Na ocasião, o senador citou um relatório da CIA sobre supostas fraudes nas eleições venezuelanas de 2012 e afirmou que máquinas utilizadas no Brasil teriam a mesma origem da empresa mencionada no documento.

A fala reacendeu uma narrativa que já havia sido utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e que acabou integrando o conjunto de fatos analisados pelo TSE no processo que resultou em sua inelegibilidade até 2030. Por isso, a manifestação de Flávio foi vista como um movimento que revive um tema já amplamente enfrentado pela Justiça Eleitoral.

Em seu comunicado, o TSE foi categórico ao reiterar que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras. A Corte reforçou que qualquer informação em sentido contrário é falsa e não corresponde à realidade do sistema eleitoral do país.

Durante a reunião com diplomatas, Flávio também defendeu o envio de um maior número de observadores internacionais para acompanhar as eleições brasileiras de 2026. Estavam presentes representantes de dezenas de países, incluindo Estados Unidos, China, Alemanha, Reino Unido e Israel, além de integrantes da União Europeia e da Liga dos Estados Árabes.

Após a repercussão negativa e o posicionamento do TSE, Flávio divulgou uma nota afirmando que não questionou a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Segundo o comunicado, ele apenas relembrou fatos públicos relacionados à reunião com embaixadores realizada por Jair Bolsonaro e mencionou um relatório recentemente divulgado pela CIA sobre o processo eleitoral venezuelano.

Apesar da tentativa de esclarecimento, o episódio amplia o desgaste político em torno do tema. Ao voltar a tratar das urnas eletrônicas em um encontro com representantes estrangeiros, Flávio recoloca no centro do debate um assunto que já produziu consequências jurídicas relevantes para seu grupo político. A rápida resposta do TSE demonstra que a Justiça Eleitoral permanece vigilante diante da disseminação de informações consideradas falsas sobre o sistema de votação brasileiro, aumentando a pressão sobre discursos que possam colocar em dúvida a credibilidade do processo eleitoral sem apresentação de provas.

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