quinta-feira, 23 de julho de 2026

NA LUPA: NOTAS FISCAIS COLOCAM FLÁVIO BOLSONARO NO RADAR DA CRISE DO BANCO MASTER, MAS DEFESA NEGA QUALQUER IRREGULARIDADE

A sucessão presidencial de 2026 começa a ganhar contornos cada vez mais imprevisíveis. Em meio ao acirramento da disputa política, uma reportagem publicada pelo Metrópoles coloca o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), no centro de um novo capítulo envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master. Embora o parlamentar não figure como investigado, os documentos revelados pela reportagem inevitavelmente ampliam o desgaste político em torno de um caso que já provoca forte repercussão nacional.

O ponto central da reportagem está na emissão de três notas fiscais pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro, do qual ele é o único sócio. Juntas, elas somam R$ 1,5 milhão. Duas, de R$ 500 mil cada, foram emitidas para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. e canceladas no mesmo dia. A terceira, também de R$ 500 mil, foi emitida para a Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda. e não possui registro de cancelamento.

À primeira vista, a existência de notas canceladas não configura qualquer irregularidade. Empresas cancelam documentos fiscais por diversos motivos. O problema político surge quando a Copenhagen aparece na investigação como uma empresa que teria recebido R$ 58 milhões provenientes do Banco Master, sendo apontada na reportagem como integrante da estrutura empresarial ligada ao empresário Daniel Vorcaro. É justamente essa coincidência temporal e comercial que desperta questionamentos e alimenta o debate público.

Outro aspecto que chama atenção é o perfil da Copenhagen. Constituída com capital social de apenas R$ 40, a empresa rapidamente passou a movimentar cifras milionárias. Além disso, funciona no mesmo endereço da Contábil Correa, ambas ligadas ao contador Rogério Lourenço Novo, personagem que também aparece citado na reportagem por sua atuação em outras empresas relacionadas ao grupo empresarial investigado.

Naturalmente, esses elementos aumentam a curiosidade sobre a natureza das relações comerciais existentes entre as empresas envolvidas. Porém, até este momento, não há qualquer acusação formal contra Flávio Bolsonaro nem informação de que ele seja investigado pelas autoridades responsáveis pelo caso.

A resposta do senador foi rápida e contundente. Em nota, Flávio afirmou que seu escritório mantém contrato regular de prestação de serviços jurídicos com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, empresa que, segundo ele, atende centenas de clientes. Explicou ainda que chegou a ser consultado para prestar serviços à Copenhagen, mas que a contratação nunca foi concluída, razão pela qual as notas fiscais emitidas para essa empresa foram canceladas e nenhum pagamento foi recebido.

Quanto à nota emitida para a Contábil Correa, o senador sustenta que decorre de um contrato legítimo de prestação de serviços advocatícios. Também afirma desconhecer qualquer ligação entre seus clientes e o Banco Master e acusa adversários de tentarem criar uma associação política sem respaldo nos fatos. Flávio ainda levantou a suspeita de vazamento ilegal de informações fiscais e prometeu buscar responsabilização judicial dos envolvidos.

O contador Rogério Lourenço Novo confirmou ao Metrópoles que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços jurídicos a clientes de sua empresa de contabilidade. No entanto, ao ser questionado sobre quais clientes efetivamente utilizaram esses serviços, afirmou não se recordar dos detalhes e, segundo a reportagem, não voltou a apresentar as informações solicitadas.

Do ponto de vista político, o episódio chega em um momento extremamente delicado. Em campanha, a percepção pública costuma pesar tanto quanto os aspectos jurídicos. Ainda que não exista investigação contra o senador, a divulgação de documentos que o conectam comercialmente a empresas mencionadas em um dos casos financeiros mais comentados do país oferece munição para adversários e certamente será explorada durante a disputa eleitoral.

Ao mesmo tempo, também é importante separar narrativa política de responsabilidade jurídica. Até agora, os fatos divulgados indicam a existência de relações comerciais documentadas entre o escritório de Flávio Bolsonaro e empresas citadas na investigação do Banco Master. Já a defesa do senador sustenta que essas relações foram estritamente profissionais, legais e desvinculadas de qualquer operação investigada. Caberá às autoridades esclarecer se essas conexões possuem alguma relevância para as investigações ou se permanecerão apenas como um tema de forte repercussão política em meio à corrida pelo Palácio do Planalto.

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