quarta-feira, 22 de julho de 2026

NA LUPA | QUANDO A SIMPLEX ERA BOA... E QUANDO DEIXOU DE SER

Há uma velha máxima na política: pesquisa boa é aquela que confirma aquilo que o candidato quer ouvir. Quando deixa de confirmar, o problema nunca é o desempenho nas ruas. O problema passa a ser o instituto.

Foi exatamente isso que aconteceu em Pernambuco.

Durante cinco pesquisas consecutivas da Simplex Consultoria, João Campos apareceu liderando a disputa pelo Governo do Estado. Nesse período, reinou um silêncio absoluto sobre metodologia, amostragem, margem de erro e credibilidade. Nenhuma nota de repúdio. Nenhuma suspeita. Nenhuma acusação. A Simplex servia perfeitamente para embasar discursos, alimentar redes sociais e sustentar a narrativa de que a eleição estava praticamente decidida.

Veio a sexta pesquisa. O cenário mudou. A vantagem desapareceu e deu lugar a um empate técnico com Raquel Lyra.

Como num passe de mágica, a Simplex deixou de prestar.

O instituto que era confiável passou a ser tratado como suspeito. Militantes foram acionados, ataques ganharam as redes sociais e surgiu uma tentativa quase desesperada de desacreditar um levantamento que, curiosamente, utilizou a mesma metodologia das pesquisas anteriores.

A pergunta continua sem resposta: se a Simplex era séria nas cinco primeiras pesquisas, por que deixou de ser justamente na sexta?

Ou será que a credibilidade de um instituto passou a depender exclusivamente de quem aparece na frente?

O episódio revela muito mais do que uma simples discordância com números. Revela nervosismo. Revela incômodo. Revela que o empate técnico mexeu onde mais dói: na narrativa de uma eleição supostamente definida.

É curioso observar que ninguém questionava a qualidade da pesquisa quando ela colocava João Campos em vantagem confortável. Bastou os números apontarem uma disputa equilibrada para começar uma verdadeira caça às bruxas. Não contra os adversários, mas contra quem teve a ousadia de divulgar um retrato diferente do desejado.

A democracia não funciona assim. Pesquisa não foi criada para agradar candidatos. Foi criada para medir o humor do eleitor em determinado momento. Se o retrato muda, talvez seja a realidade que esteja mudando — e não o instituto.

Ao atacar a Simplex apenas porque o resultado deixou de ser conveniente, setores do PSB acabam prestando um desserviço ao debate público e, de quebra, passam um recibo de insegurança política. A mensagem transmitida é cristalina: enquanto a pesquisa favorece, ela é verdade; quando deixa de favorecer, vira fraude, manipulação ou incompetência.

O eleitor percebe esse tipo de comportamento. E costuma ser implacável com quem troca a coerência pela conveniência.

No fim, fica apenas uma pergunta, simples e direta: a Simplex mudou ou foi apenas o resultado que deixou de agradar?

Essa é uma daquelas perguntas que, até agora, ninguém do outro lado conseguiu responder.

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