quarta-feira, 29 de julho de 2026

NA LUPA – TÍTULOS, COMENDAS E O PALANQUE DISFARÇADO DA PRÉ-CAMPANHA

A sessão solene da Câmara de Olinda marcada para esta quinta-feira (30) vai muito além da entrega de homenagens. Embora o rito oficial seja o da concessão de títulos e comendas, nos bastidores a leitura predominante é de que o evento ganha contornos de um ato político em plena pré-campanha eleitoral.

O senador Humberto Costa (PT), candidato à reeleição, receberá o Título de Cidadão Olindense por iniciativa da vereadora Eugênia Lima (PT). Já João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, também será agraciado com o título, desta vez por iniciativa da Mesa Diretora da Câmara. A pré-candidata ao Senado Marília Arraes (Solidariedade) receberá a Medalha do Mérito Aloísio Magalhães, a principal honraria do Legislativo olindense.

A coincidência de reunir, no mesmo palco e na mesma noite, três nomes que estarão diretamente envolvidos na disputa eleitoral de 2026 inevitavelmente alimenta questionamentos. Na prática, o evento cria um ambiente de grande visibilidade política às vésperas das convenções partidárias, quando as articulações eleitorais estão em sua fase mais intensa.

Embora a concessão de títulos de cidadania e medalhas seja uma prerrogativa legítima das Casas Legislativas e não haja impedimento legal para homenagear agentes políticos, críticos desse tipo de iniciativa apontam que solenidades como essa acabam funcionando como um palanque institucional disfarçado de homenagem, permitindo discursos, exposição na imprensa e demonstrações públicas de apoio em um momento estratégico do calendário eleitoral.

Os defensores das homenagens, por outro lado, sustentam que os reconhecimentos são baseados na atuação pública dos agraciados e que não podem ser suspensos apenas porque o ano é eleitoral.

Em um cenário de polarização política em Pernambuco, a cerimônia em Olinda certamente será observada não apenas pelo simbolismo das honrarias, mas também pelo seu peso político. Afinal, em tempos de pré-campanha, a linha que separa uma homenagem institucional de um ato político costuma ser bastante tênue.

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