sábado, 18 de julho de 2026

OPINIÃO | TÍTULO DE CIDADÃO OU TÍTULO DE CANDIDATO?

Existe uma diferença enorme entre reconhecer quem mudou a história de uma cidade e transformar uma honraria pública em instrumento de projeção política. É justamente essa reflexão que precisa ser feita diante da sequência de títulos de cidadão concedidos ao pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), em diversos municípios do Estado.

Nos últimos meses, João Campos passou a acumular homenagens em cidades como Garanhuns, Paulista, São Bento do Una, Angelim, Petrolândia, Araçoiaba e Itaquitinga, além de haver propostas semelhantes em outros municípios. A pergunta que não quer calar é simples: o que exatamente um prefeito da capital fez por cada uma dessas cidades para merecer tamanho reconhecimento?

Não se trata de discutir sua capacidade política, sua popularidade ou seu direito de disputar o Governo do Estado. Isso pertence ao eleitor decidir nas urnas. O que está em debate é o significado de um Título de Cidadão Honorário.

Essa honraria deveria ser reservada para quem deixou marcas concretas em uma cidade. Para quem construiu hospitais, viabilizou grandes obras, trouxe investimentos, gerou empregos, implantou políticas públicas ou dedicou anos de sua vida ao desenvolvimento daquele município.

Será que foi isso que aconteceu em todas essas cidades?

Em Garanhuns, qual grande obra leva a assinatura de João Campos? Em Angelim, qual investimento estruturante foi fruto direto de sua atuação? Em São Bento do Una, Petrolândia, Araçoiaba ou Itaquitinga, quais ações efetivas justificam tamanha homenagem?

Essas perguntas não são ataques. São cobranças legítimas.

O problema é que a impressão transmitida para boa parte da população é de que muitos desses eventos deixaram de ser solenidades institucionais para se transformar em verdadeiros palanques antecipados da campanha de 2026.

As fotos falam por si. Discursos políticos, lideranças partidárias, deputados, senadores, pré-candidatos, aliados... Em muitos casos, o título parece ser apenas o pretexto para reunir a militância e fortalecer alianças eleitorais.

Se for apenas coincidência, ótimo.

Mas se virou estratégia política, é preocupante.

O título de cidadão não pode perder seu valor. Não pode virar moeda de aproximação política nem certificado de boa relação entre vereadores e futuros candidatos ao governo.

Enquanto políticos recebem homenagens em série, milhares de cidadãos que dedicaram a vida inteira às suas cidades continuam esquecidos. Professores, médicos, agricultores, comerciantes, empresários, líderes religiosos e comunitários muitas vezes jamais recebem qualquer reconhecimento oficial, apesar de terem transformado a realidade de seus municípios.

É essa inversão de prioridades que causa estranheza.

A população tem o direito de saber quais critérios foram utilizados para cada homenagem. Quais serviços foram prestados? Quais benefícios chegaram? Quais investimentos justificam cada título?

Se houver respostas objetivas, excelente. O reconhecimento será plenamente compreendido.

Mas, se essas respostas não existirem, ficará difícil convencer o cidadão de que tantas homenagens representam apenas gratidão institucional e não uma sofisticada estratégia de construção de imagem em pleno período pré-eleitoral.

Título de cidadão deve ser consequência de serviços prestados, não de expectativas eleitorais.

Porque, quando a política começa a distribuir homenagens em série, quem perde valor não é apenas o título. É a própria credibilidade das instituições que o concedem. Falei tá falado, essa é minha opinião!

Edney Souto 

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