domingo, 12 de julho de 2026

OSMAR RICARDO ANUNCIA LICENÇA DA PRESIDÊNCIA DO PT RECIFE PARA APOIAR RAQUEL LYRA E APROFUNDA RACHADURA COM JOÃO CAMPOS

A decisão do vereador do Recife e presidente municipal do PT, Osmar Ricardo, de se licenciar da presidência do diretório da legenda durante o período eleitoral para apoiar a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) representa mais um capítulo da crescente tensão entre o parlamentar e o grupo político liderado pelo ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB).

Em entrevista ao Jornal do Commercio, Osmar confirmou que não participará da campanha de João Campos, mesmo com o PT de Pernambuco integrando oficialmente a Frente Popular e tendo decidido, de forma democrática, apoiar a candidatura do socialista ao Palácio do Campo das Princesas.

Segundo o vereador, o afastamento temporário da presidência do diretório municipal será formalizado no início oficial da campanha eleitoral e submetido às instâncias partidárias da capital.

"Eu vou me licenciar porque acho importante. Se vou tomar uma postura diferente do PT, que quer apoiar João Campos, eu não vou apoiar. Não vou fazer campanha para João Campos nem pedir voto para ele", declarou.

A posição marca uma ruptura política consolidada após Osmar aderir ao pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a polêmica nomeação de um procurador da Prefeitura do Recife para uma vaga destinada a pessoa com deficiência, episódio que ficou conhecido como o caso do "Fura-fila". Desde então, o vereador passou a fazer oposição à gestão de João Campos e intensificou as críticas ao pré-candidato socialista.

Apesar do posicionamento divergente, Osmar garantiu que não pretende deixar o Partido dos Trabalhadores. Segundo ele, o licenciamento é uma forma de preservar a coerência política sem romper com a legenda.

"O PT tem muito disso, as pessoas pensam diferente. O partido toma uma decisão e eu respeito essa decisão. Vou me licenciar no momento certo, mas não estou saindo do PT", afirmou.

A reação da direção estadual veio por meio do presidente do PT em Pernambuco, deputado federal Carlos Veras. Em nota encaminhada ao Jornal do Commercio, Veras ressaltou que o eventual licenciamento não exime nenhum filiado do cumprimento do estatuto e das deliberações partidárias.

O dirigente lembrou que a decisão de apoiar João Campos foi construída internamente e recebeu respaldo das principais instâncias da legenda.

"A decisão do PT de Pernambuco de apoiar a pré-candidatura de João Campos foi amplamente debatida e tomada de forma democrática. Além de validada pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, ela conta com o respaldo da nossa maior liderança, o presidente Lula", destacou.

Osmar também fez questão de afirmar que a iniciativa partiu exclusivamente dele e descartou qualquer orientação das direções estadual ou nacional do partido. Segundo o vereador, o diretório municipal será convocado para homologar oficialmente seu afastamento temporário da presidência durante o período eleitoral.

"Acho que é a decisão mais correta. Essa pressão é minha. Já estou convocando a reunião da direção municipal. Vamos reunir a executiva e depois o diretório para homologar meu licenciamento", explicou.

Mesmo contrariando a posição oficial do PT em Pernambuco, o vereador afirmou manter diálogo e boa relação com importantes lideranças da legenda, como a senadora Teresa Leitão, o senador Humberto Costa e o próprio presidente estadual Carlos Veras.

A movimentação evidencia um dos episódios mais emblemáticos de dissidência interna no PT pernambucano neste processo eleitoral. Embora a legenda permaneça oficialmente ao lado de João Campos, a decisão de um de seus principais dirigentes na capital de apoiar a candidatura de Raquel Lyra expõe fissuras políticas que tendem a repercutir durante toda a campanha de 2026, sobretudo pelo simbolismo de partir justamente do presidente municipal do partido na maior cidade do Estado.

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