Mais uma vez, durante um evento público, o prefeito resolveu disparar contra a imprensa local, especialmente contra a rádio da cidade. Em vez de explicar as cobranças da população, preferiu atacar quem lhes dá voz. Um roteiro que já começa a cansar.
A pergunta que fica é simples: por que tanto incômodo com a imprensa? Se a gestão entende que está fazendo um bom trabalho, deveria aproveitar o espaço para apresentar resultados, rebater informações com documentos e convencer a população pelos fatos. Mas não. A opção continua sendo transformar jornalistas e radialistas em alvo.
É uma inversão de prioridades. A imprensa não cria problemas, não inventa reclamações e não escreve o cotidiano de Bom Conselho com tinta de ficção. Ela noticia aquilo que a população vive e cobra aquilo que o cidadão tem o direito de cobrar.
Atacar a imprensa nunca asfaltou uma rua, nunca reduziu uma fila na saúde, nunca melhorou a educação e nunca resolveu os desafios de uma administração pública. Serve apenas para criar uma cortina de fumaça e deslocar o foco do debate.
Quem governa precisa ter grandeza para ouvir críticas. Quem se irrita com perguntas e reage atacando quem informa transmite uma imagem de fragilidade política. Democracia não combina com intolerância às cobranças.
A liberdade de imprensa não depende da boa vontade de prefeito nenhum. Ela existe para proteger exatamente o direito de informar quando o poder é contrariado. E é justamente nos momentos de maior tensão que esse direito precisa ser reafirmado.
A população de Bom Conselho não espera um prefeito em guerra com a imprensa. Espera um prefeito em guerra contra os problemas da cidade.
No fim das contas, o recado é claro: jornalista não é adversário da gestão. Adversários de qualquer governo são a má administração, a falta de transparência e a incapacidade de responder às demandas da população. Quem escolhe combater a imprensa, em vez de combater os problemas, acaba revelando onde realmente está o seu desconforto.
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