O presidente estadual do PV, deputado Clodoaldo Magalhães, participou apenas da primeira parte da convenção, quando reforçou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à candidatura do senador Humberto Costa (PT), que disputará um novo mandato. No entanto, Clodoaldo deixou o local antes da chegada do pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), principal nome da Frente Popular na disputa estadual.
A ausência do dirigente estadual no momento da participação de João Campos chamou atenção e reforçou o distanciamento político entre Clodoaldo e o grupo socialista. Atualmente, o deputado mantém aliança com a governadora Raquel Lyra (PSD), ocupando espaços na gestão estadual e adotando uma postura política diferente da defendida pela maioria da federação em Pernambuco.
Representando o PV durante a recepção a João Campos, o presidente municipal da legenda no Recife, Marco Aurélio Filho, fez um discurso em defesa da unidade da Frente Popular e aproveitou para alfinetar, sem citar nomes, o grupo ligado a Clodoaldo Magalhães.
Segundo Marco Aurélio, "quem está mudando de lado é quem não tem um trabalho de grupo feito esse aqui". O dirigente afirmou que o Partido Verde permanece comprometido com o projeto político liderado pelo presidente Lula e declarou que, em Pernambuco, "este é o time certo".
Marco Aurélio também destacou sua experiência como secretário na gestão de João Campos e elogiou o estilo de liderança do socialista. De acordo com ele, uma das principais características do prefeito do Recife é a capacidade de ouvir diferentes setores antes de tomar decisões. "João escuta muitas vezes até quem não é aliado, porque é justamente na conversa e no diálogo que a gente consegue avançar", afirmou.
Em outro momento do discurso, o presidente municipal voltou a elevar o tom das críticas ao afirmar que "quem não quer conversa, quem toma decisão precipitada é porque não tem capacidade de diálogo, não tem capacidade de construir". Encerrando a fala, declarou que "este lado é o lado certo da história", em referência ao palanque liderado por João Campos.
A convenção acabou expondo, de forma clara, que o PV pernambucano vive uma divisão entre a direção estadual, alinhada politicamente à governadora Raquel Lyra, e a direção municipal do Recife, que segue integrada ao projeto da Frente Popular ao lado de João Campos, deixando evidente que a disputa eleitoral de 2026 também passa por uma intensa disputa interna dentro da legenda verde.
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