Da REDAÇÃO - Blog do Edney
A nova pesquisa Quaest acendeu mais uma luz amarela no comando da campanha de João Campos (PSB). O levantamento mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) ampliando a vantagem sobre o socialista, que agora chega a oito pontos, além de reforçar uma preocupação que começa a ganhar espaço nos bastidores: João ainda não conseguiu interromper a tendência de crescimento da adversária.
O cenário preocupa porque a diferença vem aumentando justamente na reta em que os candidatos precisam consolidar suas posições. No Datafolha divulgado na última sexta-feira (21), Raquel já aparecia sete pontos à frente, diferença superior à margem de erro. Agora, a Quaest confirma a vantagem e coloca ainda mais pressão sobre o grupo socialista.
Outro dado que merece atenção é o elevado grau de definição do eleitorado. Com 72% dos entrevistados afirmando que não pretendem mudar o voto, o espaço para uma virada de cenário fica cada vez mais apertado. Em votos válidos, Raquel também aparece com vantagem de aproximadamente 10 pontos, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
João Campos entra nessa eleição carregando um sobrenome de enorme peso na política pernambucana. Bisneto de Miguel Arraes e filho de Eduardo Campos, dois ex-governadores e ex-presidentes nacionais do PSB, o candidato construiu uma trajetória própria e chegou à disputa pelo Palácio do Campo das Princesas com forte capital político.
O problema é que, até aqui, esse patrimônio eleitoral não tem sido suficiente para produzir uma reação consistente nas pesquisas.
Dentro do PSB, começa a crescer a cobrança por mudanças na condução da campanha. A avaliação de setores mais experientes é que João precisa ampliar o diálogo com lideranças tradicionais e buscar alternativas capazes de mexer com um eleitorado que, neste momento, parece mais inclinado a manter sua escolha.
A situação é ainda mais delicada porque Raquel Lyra não demonstra sinais claros de que tenha atingido seu limite eleitoral. Enquanto a governadora continua avançando ou se mantendo em posição confortável nos principais levantamentos, João precisa primeiro estancar a perda de terreno para depois pensar em uma recuperação.
O histórico mostra a força do PSB em Pernambuco, partido que venceu cinco das oito eleições para o Governo do Estado desde 1994. Mas a história, sozinha, não garante eleição. O desafio agora é transformar o peso do sobrenome, a estrutura partidária e o recall da gestão no Recife em votos suficientes para recolocar João na disputa em condições de igualdade.
A reta final promete ser de muita pressão no campo socialista. E, diante dos números apresentados pelos institutos, uma coisa parece cada vez mais evidente: o PSB precisa encontrar rapidamente uma reação, porque o tempo está correndo e Raquel Lyra segue na frente.
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