Durante entrevista coletiva no Recife, Porto afirmou que existe, sim, uma movimentação política por trás da iniciativa dos deputados socialistas Sileno Guedes, Romero Albuquerque e Rodrigo Farias, mas ressaltou que o conteúdo da denúncia também precisa ser considerado.
Ao comentar os repasses realizados durante o período em que Priscila Krause assumiu o comando do Governo de Pernambuco, o presidente da Alepe fez uma acusação direta.
“Todo mundo sabe que teve um benefício próprio, teve um benefício de dinheiro repassado para o hospital do seu marido”, declarou Álvaro Porto.
Segundo o deputado, os fatos apontados na denúncia teriam relação com o período em que Priscila esteve à frente do Executivo estadual. Porto afirmou ainda que o tema ganhou força a partir das transferências realizadas naquele período e que a fiscalização mencionada na denúncia teria confirmado a existência dos repasses.
RITO DO PEDIDO DE IMPEACHMENT
Álvaro Porto explicou que ainda não teve acesso integral ao documento protocolado pelos três deputados, mas pretende discutir o assunto com a Procuradoria da Assembleia nesta segunda-feira (24).
A partir do parecer jurídico, a Casa deverá definir se o pedido terá prosseguimento. Caso o entendimento seja favorável ao processamento, a matéria poderá ser encaminhada à Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ), que terá a responsabilidade de analisar o caso dentro do rito legislativo.
O presidente da Alepe também minimizou o fato de a comissão ser formada majoritariamente por parlamentares aliados do Governo Raquel Lyra. Para Porto, a questão deve ser tratada dentro dos procedimentos regimentais da Assembleia.
“Não impede de ser encaminhado para a Comissão de Justiça. A gente vai seguir o rito da Casa. Dependendo do parecer da Procuradoria é que a gente vai tomar uma decisão”, afirmou.
A declaração coloca o episódio em uma nova dimensão no cenário político pernambucano, justamente em um momento de forte disputa eleitoral e de crescente tensão entre os grupos que apoiam Raquel Lyra e João Campos.
PORTO VOLTA A ATACAR RAQUEL LYRA
Aliado declarado do candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB), Álvaro Porto também aproveitou a entrevista para fazer duras críticas à administração da governadora Raquel Lyra.
O presidente da Assembleia afirmou que a população estaria percebendo problemas na infraestrutura das escolas e nas rodovias estaduais e classificou algumas ações do governo como uma espécie de maquiagem administrativa.
Porto citou problemas em unidades de ensino e criticou as condições das estradas após as chuvas.
“A gente está vendo teto de escola caindo, sem estrutura nenhuma. Quando chove, praticamente, chove dentro das escolas”, afirmou.
Na avaliação do deputado, o governo estadual já teve tempo suficiente para apresentar resultados mais concretos e não deveria continuar atribuindo dificuldades à situação encontrada no início da gestão.
“Não adianta a pessoa passar três anos e meio como ela vem passando só reclamando do passado. Eu acho que já deu tempo demais de arrumar a casa”, disparou.
CLIMA POLÍTICO SE AGRAVA
As declarações de Álvaro Porto acontecem em um momento de acirramento da disputa política em Pernambuco. De um lado, o grupo da governadora Raquel Lyra trabalha para consolidar sua candidatura à reeleição; do outro, João Campos amplia sua articulação para a sucessão estadual.
Nesse ambiente, o pedido de impeachment contra Priscila Krause adiciona mais um ingrediente à disputa e coloca a Assembleia Legislativa no centro de uma nova batalha política.
A decisão sobre o futuro da denúncia, porém, ainda depende da análise jurídica da Procuradoria da Alepe. Até lá, as declarações de Porto aumentam a temperatura do debate e colocam os repasses destinados ao hospital de Garanhuns sob os holofotes da política estadual.
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