O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, afirmou que está preocupado com a divulgação, pela imprensa, de informações que fazem parte das investigações. Segundo ele, a situação exige esclarecimentos sobre a origem dos dados que chegaram ao conhecimento público.
“Se acontece algo assim com o filho do presidente, quem dirá o que pode ocorrer com outro cidadão qualquer?”, declarou o advogado ao Metrópoles.
Marco Aurélio também informou ter pedido informações sobre as investigações abertas para identificar os responsáveis pelos vazamentos. “Relatei que estou extremamente preocupado com os vazamentos e pedi informações sobre o andamento dos inquéritos instaurados para apurar os vazamentos”, afirmou.
O assunto já havia sido tratado diretamente com o presidente Lula. Na semana passada, o advogado esteve com o presidente em Brasília para discutir o caso. Lula teria manifestado preocupação com a divulgação de informações sigilosas da Polícia Federal envolvendo mensagens trocadas entre Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger.
Após o pedido, o ministro André Mendonça determinou que a Polícia Federal apure suspeitas de novos vazamentos relacionados ao processo. O Ministério da Justiça também solicitou à PF informações sobre o andamento das apurações.
O que está sendo investigado
Lulinha é alvo de três inquéritos no STF que apuram suspeitas de tráfico de influência. Os indícios surgiram a partir de informações obtidas nas quebras de sigilo realizadas no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
A PF investiga se Fábio Luís teria utilizado sua proximidade com integrantes do governo federal para intermediar interesses empresariais junto a órgãos públicos.
As investigações também chegaram ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pela PF como um dos operadores do esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas.
Uma das linhas de apuração envolve ainda possíveis negócios relacionados à venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A suspeita é de que Lulinha e Roberta Luchsinger tenham atuado para facilitar a realização de negócios com o governo federal sem licitação.
Outro ponto investigado pela Polícia Federal é o aluguel de uma mansão em Brasília pertencente a Luchsinger. Segundo os investigadores, o imóvel teria sido contratado em nome de uma terceira pessoa e com exigência de confidencialidade.
Conversas interceptadas durante a investigação também indicariam que a empresária teria despesas mensais de aproximadamente R$ 100 mil relacionadas a outra pessoa. Até o momento, não está esclarecido se esse valor estaria relacionado a Lulinha ou a outro investigado.
As suspeitas continuam sob investigação e, até o momento, não representam uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.
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