A movimentação representa um dos fatos mais curiosos da atual corrida eleitoral em Pernambuco. Caso ambos sejam eleitos, o Estado poderá registrar, pela primeira vez em sua história política, dois irmãos exercendo simultaneamente mandato de deputado federal.
Miguel Coelho, que chegou a ser cotado para disputar o Senado, acabou abrindo mão da candidatura dentro das articulações da federação. Com isso, decidiu retornar à disputa por uma cadeira na Câmara Federal, onde buscará dividir espaço político com o irmão Fernando Filho, que tentará a reeleição.
Ao longo da história política pernambucana, diversos sobrenomes tradicionais já ocuparam simultaneamente cadeiras na Câmara dos Deputados, mas sempre em relações de pai e filho, tio e sobrinho ou outros vínculos familiares. Entre os casos mais conhecidos estão Carlos Wilson e Eduardo da Fonte, Eduardo da Fonte e Lula da Fonte, Miguel Arraes e Eduardo Campos, José Mendonça e Mendonça Filho, João Campos e Marília Arraes, além de Pedro Campos e Maria Arraes.
Apesar da forte tradição de famílias na política pernambucana, nunca houve o registro de dois irmãos atuando, ao mesmo tempo, como deputados federais representando Pernambuco.
A possibilidade ganha ainda mais relevância pelo peso político da família Coelho no Sertão do São Francisco. Miguel consolidou sua liderança durante os dois mandatos como prefeito de Petrolina e tornou-se uma das principais referências da oposição estadual nos últimos anos. Já Fernando Filho acumula experiência no Congresso Nacional, onde já exerceu funções de destaque, inclusive como ministro de Estado.
Com a aliança da União Progressista definida e o cenário eleitoral praticamente desenhado, a candidatura simultânea dos irmãos passa a ser um dos capítulos mais interessantes da eleição proporcional em Pernambuco. Se confirmarem o favoritismo nas urnas, Miguel Coelho e Fernando Filho poderão escrever uma página inédita na história da representação pernambucana na Câmara dos Deputados.
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