Da REDAÇÃO
A disputa eleitoral em Pernambuco ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (18), com um novo movimento envolvendo a federação PSDB-Cidadania e a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD).
No fim da noite, o presidente da comissão interventora da federação PSDB-Cidadania em Pernambuco, deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), protocolou junto à Justiça Eleitoral um pedido para que os partidos sejam retirados da coligação majoritária que apoia Raquel Lyra e Priscila Krause.
No documento encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), a nova direção da federação afirma que não pretende integrar nenhuma coligação majoritária no estado para os cargos de governador, vice-governador e senador nas eleições de 2026. A posição apresentada é de neutralidade político-partidária.
Segundo a comissão interventora, a decisão de apoio a Raquel Lyra tomada na convenção realizada em 31 de julho teria sido anulada por um suposto “vício de competência”. A justificativa apresentada é de que o órgão que havia conduzido aquela convenção já teria sido destituído quando a decisão foi tomada.
A nova direção afirma ainda que realizou uma convenção extraordinária no dia 5 de agosto e posteriormente ratificou a decisão em reunião realizada em 14 de agosto. Os documentos das duas reuniões foram anexados ao processo eleitoral.
IMBRÓGLIO POLÍTICO
A situação se transformou em uma disputa interna com forte impacto sobre a eleição majoritária em Pernambuco.
A intervenção da direção nacional da federação retirou dos aliados de Raquel Lyra o comando da estrutura partidária em Pernambuco. O movimento ocorreu em meio às articulações da Frente Popular, liderada pelo candidato João Campos (PSB).
Mesmo com a intervenção, os aliados da governadora realizaram a convenção marcada anteriormente e aprovaram o apoio à candidatura de Raquel. Dias depois, porém, a comissão interventora realizou uma nova convenção e manteve as chapas proporcionais, mas decidiu retirar o apoio à candidatura majoritária.
Agora, a palavra está com a Justiça Eleitoral.
TEMPO DE RÁDIO E TELEVISÃO NO CENTRO DA DISPUTA
Por trás da briga jurídica existe também uma questão estratégica para a campanha: o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
A federação PSDB-Cidadania possui direito a tempo de propaganda que, caso seja reconhecido para a candidatura de João Campos, poderá ampliar o espaço destinado à campanha socialista. Se o apoio a Raquel for mantido pela Justiça Eleitoral, a governadora poderá contar com essa parcela do horário eleitoral.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa no dia 28 de agosto.
O TRE-PE deverá divulgar oficialmente na próxima sexta-feira (21), às 16h30, a distribuição do tempo de propaganda entre as candidaturas.
Até lá, uma eventual decisão judicial poderá definir o destino do tempo pertencente à federação. Caso não haja uma decisão definitiva antes do início do guia eleitoral, a participação da federação poderá ficar sub judice, aumentando ainda mais a tensão nos bastidores da disputa pelo Governo de Pernambuco.
O episódio mostra que, faltando poucos dias para o início da propaganda eleitoral, a definição das alianças partidárias continua sendo uma das principais batalhas jurídicas e políticas da eleição estadual.
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