domingo, 16 de agosto de 2026

IVAN MORAES SOBE O TOM CONTRA JOÃO CAMPOS: “PROJETO INDIVIDUAL DE UM HERDEIRO”


POR EDNEY SOUTO | BLOG DO EDNEY

O candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSOL, Ivan Moraes, subiu o tom contra o PSB e, especialmente, contra o candidato João Campos, durante coletiva realizada na noite deste sábado (15). Em seu primeiro pronunciamento após a confirmação de sua candidatura, o psolista criticou duramente as movimentações que, segundo ele, buscaram retirar seu nome da disputa estadual.

Ivan afirmou que a direção estadual do PSOL resistiu às pressões e classificou o episódio como uma demonstração de que Pernambuco não se curva a ameaças políticas.

“Resistiu e mostrou para todo mundo que aqui em Pernambuco é diferente. Aqui em Pernambuco a gente sabe que o bolsonarismo não se cria. Aqui em Pernambuco a gente sabe que o autoritarismo não terá vez”, disparou.

Na sequência, o candidato direcionou suas críticas ao presidente nacional do PSB e também candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos. Sem citar o nome do socialista em todos os momentos, Ivan afirmou que interesses eleitorais individuais teriam sido colocados acima do projeto nacional de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Ivan, o que está em jogo em 2026 vai muito além da eleição estadual. O candidato afirmou que alianças consideradas importantes para Lula não poderiam ser colocadas em risco por projetos pessoais.

“Para quem diz que é soldado de Lula, mas em vários estados do País, em que há coligações robustas, importantes, necessárias e possivelmente vitoriosas para Lula, colocaram em risco essas articulações, entendendo que um projeto individual de um herdeiro era mais importante do que o projeto imprescindível que todos nós temos aqui”, afirmou.

A declaração foi uma das mais contundentes do pronunciamento e coloca João Campos no centro da reação de Ivan Moraes às articulações que ocorreram nos bastidores nos últimos dias.

PSOL vê PSB como partido que muda conforme o cenário

Ivan também fez uma avaliação sobre o posicionamento histórico do PSB. Na visão dele, a legenda transita entre a esquerda e o centro dependendo do cenário eleitoral.

O candidato citou as eleições municipais de 2020 no Recife para lembrar que, segundo sua interpretação, o PSB chegou a dialogar com setores da direita e da extrema-direita.

“O PSB de hoje é diferente e eu não acho ruim, acho bom”, disse Ivan, fazendo uma comparação entre o comportamento da legenda em diferentes momentos eleitorais.

O discurso também alcançou a governadora Raquel Lyra. Ivan afirmou que gostaria de vê-la declarando publicamente apoio a Lula, embora avalie que, eleitoralmente, ela evite assumir essa posição de maneira explícita para não perder votos entre eleitores ligados ao bolsonarismo.

Na avaliação do candidato, a disputa estadual não deveria tirar o foco da eleição presidencial.

“Não quero explodir nenhuma ponte

Apesar da dureza das críticas, Ivan Moraes adotou um tom mais conciliador quando questionado sobre um eventual segundo turno.

O candidato afirmou que está “muito triste” com os acontecimentos recentes, por ter sido diretamente afetado pelas articulações, mas disse que pretende manter os canais políticos abertos com seus adversários.

“Eu não quero explodir nenhuma ponte, nem com o ex-prefeito da Capital, nem com a atual governadora”, afirmou, referindo-se a João Campos e Raquel Lyra.

Ivan reconheceu que uma vitória no primeiro turno é improvável e projetou uma disputa que pode avançar para uma segunda etapa.

“Eu acho muito difícil mesmo ganhar essa eleição no primeiro turno. Eu acho que não vai ser fácil. Acho que vai ser muito difícil. Então, provavelmente, vou para o segundo turno”, declarou.

A estratégia, portanto, é não transformar as críticas deste momento em rompimentos definitivos. Ivan deixou claro que, caso avance para a segunda etapa, pretende conversar com os adversários que ficarem pelo caminho.

“Quem não for para o segundo turno comigo, eu vou chamar para conversar”, enfatizou.

O recado está dado

A confirmação da candidatura de Ivan Moraes muda novamente o cenário da eleição para o Governo de Pernambuco. Depois de dias de tensão nos bastidores e de pressão para que o PSOL retirasse sua candidatura, o partido decidiu manter o nome na corrida.

E Ivan aproveitou sua primeira grande fala pública para deixar um recado claro: não pretende entrar na disputa apenas para cumprir tabela.

Ao mirar João Campos, criticar o PSB e defender que o projeto de reeleição de Lula não seja colocado em segundo plano por interesses estaduais, o candidato do PSOL também sinaliza que sua campanha deverá adotar uma postura de enfrentamento político, mas sem fechar completamente as portas para uma eventual composição no segundo turno.

A eleição de Pernambuco, que já vinha sendo marcada pela polarização entre João Campos e Raquel Lyra, ganha agora um novo ingrediente: a presença de Ivan Moraes como uma candidatura que promete disputar espaço no campo progressista e cobrar coerência daqueles que se apresentam como aliados do presidente Lula.

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