Deputado afirma que Lula segue como favorito, mas reconhece que eleição está aberta e critica dificuldade da esquerda em disputar narrativa nas redes sociais
O deputado federal André Janones (REDE-MG) fez um alerta sobre os rumos da eleição presidencial deste ano e reconheceu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) corre, sim, risco de ser derrotado nas urnas. Em entrevista ao programa JBN 1, da BNTV, o parlamentar avaliou que o cenário permanece equilibrado e apontou a comunicação digital como um dos principais desafios da esquerda.
Apesar de considerar Lula favorito neste momento, Janones fez questão de afastar qualquer ideia de eleição definida. Segundo ele, ignorar a possibilidade de uma derrota seria não compreender o atual cenário político.
“Se eu tivesse que apostar hoje, puramente, apostaria no presidente Lula, o que não significa, em nenhuma hipótese, que a eleição está ganha”, afirmou.
A declaração ganha ainda mais peso porque o próprio Janones já havia feito um alerta semelhante nas redes sociais. Em uma publicação no X, antigo Twitter, o deputado chegou a projetar que o senador Flávio Bolsonaro poderá ultrapassar Lula nas pesquisas de intenção de voto até setembro.
ALERTA SOBRE AS REDES
Durante a entrevista, Janones concentrou boa parte de sua análise na disputa pela comunicação política na internet. Na avaliação do deputado, a direita conseguiu avançar sobre as redes sociais, compreender melhor a lógica dos algoritmos e estabelecer uma comunicação mais direta com parcelas do eleitorado.
“Quem domina as redes sociais domina a vida política”, resumiu.
Para Janones, a transformação do ambiente digital alterou profundamente a maneira como a política é consumida. A televisão tradicional continua tendo importância e aparecer em grandes emissoras ainda representa visibilidade, mas, segundo ele, isso já não significa necessariamente alcançar o maior número de pessoas.
O deputado utilizou a própria BNTV como exemplo para defender a tese de que o tamanho e a influência de um veículo atualmente não podem ser medidos apenas pela tradição ou pelo alcance da televisão convencional.
Na visão apresentada por Janones, compreender o funcionamento das plataformas digitais e conseguir fazer uma mensagem circular entre os usuários tornou-se uma ferramenta fundamental na disputa política.
UM ALERTA PARA A ESQUERDA
A fala do deputado chama atenção também pelo seu histórico na comunicação política. Janones foi um dos nomes de destaque da estratégia digital de Lula durante a campanha presidencial de 2022 e teve papel importante na mobilização das redes sociais naquele processo eleitoral.
Agora, quatro anos depois, ele reconhece que a esquerda enfrenta dificuldades justamente no ambiente que considera decisivo para a formação da opinião pública.
O diagnóstico apresentado pelo parlamentar é de que não basta ter um candidato competitivo ou uma estrutura política consolidada. É necessário conseguir fazer a mensagem chegar ao eleitor, especialmente em um cenário no qual vídeos curtos, redes sociais, influenciadores e algoritmos passaram a disputar espaço diretamente com os meios tradicionais.
ELEIÇÃO EM ABERTO
Ao admitir a possibilidade de derrota de Lula, Janones coloca em evidência uma preocupação que deverá acompanhar a campanha presidencial nos próximos meses.
Na avaliação apresentada pelo deputado, Lula continua favorito, mas o favoritismo não representa garantia de vitória. Para ele, a disputa ainda poderá sofrer mudanças importantes até a votação.
O principal alerta, portanto, não está apenas nos números das pesquisas, mas na capacidade de cada campo político de dialogar com o eleitorado e disputar a narrativa nas redes.
A eleição presidencial entra, assim, em uma fase marcada pela intensificação da disputa digital, enquanto os partidos e candidatos buscam ampliar presença nas plataformas que hoje ocupam papel central na formação do debate político brasileiro.
Do Blog do Edney — Em meio à pré-campanha, a declaração de André Janones expõe uma preocupação dentro da própria esquerda: ter um candidato competitivo não basta quando a batalha pela atenção do eleitor também acontece, diariamente, nas redes sociais.
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