sexta-feira, 28 de agosto de 2026

JOÃO CAMPOS ADMITE EFEITO DO “GABINETE DO ÓDIO” NAS PESQUISAS E PROMETE REAÇÃO: “ESTOU MUITO ANIMADO”

Candidato do PSB afirma que ataques nas redes sociais contribuíram para sua queda nas pesquisas, acusa uso de estrutura pública e aposta no início da propaganda eleitoral para virar o jogo

O candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), decidiu subir o tom nesta quinta-feira (27) ao comentar a disputa eleitoral contra a governadora Raquel Lyra (PSD). Em entrevista ao SBT News, o socialista voltou a acusar o grupo governista de manter uma estrutura organizada para atacá-lo nas redes sociais e afirmou que esse movimento teve, sim, impacto no cenário eleitoral.

João não escondeu que sentiu o efeito dos ataques. Diante das pesquisas mais recentes, que mostram Raquel à frente, o candidato afirmou que a estratégia de desgaste de sua imagem funcionou eleitoralmente, mas garantiu que não pretende baixar a cabeça.

Segundo ele, a equipe jurídica da Frente Popular de Pernambuco já apresentou uma Ação Judicial de Investigação Eleitoral (AJIE) e outras medidas para apurar o que classifica como uma estrutura de ataques financiada, supostamente, com recursos públicos.

“Há mais de um ano e meio, eu venho sendo vítima recorrente de ataques criminosos por uma rede de ódio”, afirmou.

João também citou o caso de um servidor federal cedido ao Governo de Pernambuco que, segundo o próprio candidato, teria relatado participação na coordenação dos ataques. O socialista sustenta que existiriam reuniões no Palácio do Campo das Princesas, participação de integrantes do governo e contratos públicos relacionados à estrutura denunciada.

JOÃO QUER TRANSFORMAR ATAQUES EM CASO DE JUSTIÇA

O candidato afirmou que não pretende transformar a denúncia apenas em discurso político. A estratégia agora é levar o caso às instituições de controle e à Justiça Eleitoral.

João disse confiar que as investigações poderão esclarecer os fatos e responsabilizar quem eventualmente tenha cometido irregularidades. Também mencionou medidas que, segundo ele, serão encaminhadas à CGU, TCU, Ministério Público e Tribunal de Contas.

Para o socialista, a utilização de recursos públicos para atacar adversários políticos seria algo incompatível com uma disputa democrática.

Ele ainda classificou a suposta estrutura como uma prática associada à extrema-direita e ao bolsonarismo, afirmando que não pretende abandonar a campanha por causa dos ataques.

“A QUEDA NAS PESQUISAS TEM CONSEQUÊNCIA ELEITORAL”

Foi justamente ao falar das pesquisas que João fez uma das declarações mais importantes da entrevista.

O candidato reconheceu que os ataques tiveram consequência eleitoral e afirmou que a intenção, segundo ele, seria justamente provocar uma “desidratação política” de sua candidatura.

João, entretanto, aposta todas as fichas no início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

A partir desta sexta-feira (28), os candidatos passam a ter um espaço muito maior para apresentar propostas e mostrar ao eleitor o que fizeram e o que pretendem fazer caso cheguem ao Palácio do Campo das Princesas.

O socialista pretende explorar sua gestão à frente da Prefeitura do Recife e apresentar propostas para saúde, infraestrutura, educação técnica e industrialização do interior.

Ele citou a construção de quatro hospitais, duplicações de estradas, novas escolas técnicas e uma política de industrialização como algumas das bandeiras que pretende levar para a campanha estadual.

E, apesar da desvantagem nas pesquisas, João demonstrou confiança.

Lembrou inclusive a trajetória do pai, Eduardo Campos, que em 2006 teria iniciado a disputa pelo Governo de Pernambuco com apenas 3% das intenções de voto e terminou eleito.

“Estou muito animado para disputar e vencer as eleições”, afirmou.

LULA CONTINUA NO RADAR

João Campos também confirmou que espera contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco durante a campanha.

Segundo o candidato, Lula já confirmou que virá ao Estado dentro de sua agenda pelo Nordeste. João destacou ainda que o presidente participou desde o início da construção da Frente Popular e da articulação política que sustenta sua candidatura.

A presença de Lula é tratada como uma das principais apostas do PSB para ampliar a competitividade da candidatura socialista, especialmente no eleitorado ligado ao presidente.

JOÃO MINIMIZA VANTAGEM DE RAQUEL ENTRE PREFEITOS

Outro ponto abordado foi a força política de Raquel Lyra entre os prefeitos pernambucanos.

João tentou relativizar o tamanho desse apoio. Para ele, o número de prefeitos alinhados a uma candidatura não é, isoladamente, o fator que decide uma eleição.

O socialista lembrou que Raquel teria chegado à eleição de 2022 com apoio de apenas oito prefeitos e, ainda assim, conseguiu vencer a disputa pelo Governo de Pernambuco.

Na avaliação de João, o que realmente decidirá a eleição será a capacidade de cada candidato convencer o eleitor.

O socialista também afirmou que sua candidatura conseguiu montar a maior frente partidária da oposição e voltou a atacar a gestão Raquel Lyra, dizendo que Pernambuco ainda não teria apresentado uma grande obra, nova indústria, hospital ou escola técnica capaz de colocar o Estado novamente como protagonista do Nordeste.

A CAMPANHA AGORA MUDA DE FASE

A fala de João Campos deixa claro que a estratégia socialista entrou em uma nova etapa.

Até aqui, o candidato vinha enfrentando uma sequência de pesquisas desfavoráveis em relação ao desempenho de Raquel Lyra. Agora, a aposta é usar o rádio e a televisão para tentar interromper esse movimento e recuperar terreno.

O problema é que a eleição começa a ficar mais apertada justamente quando o eleitor passa a prestar maior atenção na campanha.

João aposta na própria imagem, na gestão do Recife, na força de Lula e na estrutura partidária da Frente Popular.

Raquel, por sua vez, chega ao início da propaganda eleitoral com vantagem nas pesquisas e uma ampla rede de apoios políticos.

O fato é que a disputa pelo Governo de Pernambuco, que já estava quente, entra oficialmente em uma fase ainda mais pesada. E, pelo tom adotado por João Campos, a guerra eleitoral não será travada apenas nas ruas, no rádio e na televisão. A Justiça também será um dos principais palcos desta eleição.

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