A coligação que sustentará a candidatura de Lula reúne PT, PSB, PCdoB, PV, PSOL, Rede Sustentabilidade e PDT, consolidando uma ampla frente de partidos de centro-esquerda para a disputa presidencial deste ano.
Em um discurso marcado pelo tom de confiança, Lula comparou sua trajetória eleitoral a uma competição esportiva ao afirmar que disputa sua "sétima Copa do Mundo" presidencial e disse acreditar que conquistará o quarto mandato à frente do Palácio do Planalto.
"O povo sabe quem fez e quem pode prometer mais. Não precisamos inventar histórias ou contar mentiras para convencer ninguém. Nosso governo tem trabalho para mostrar", afirmou o presidente diante dos militantes.
Lula também destacou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ressaltando que praticamente todos os municípios brasileiros foram contemplados por obras ou investimentos do governo federal. Segundo ele, isso permite que aliados defendam a gestão com resultados concretos em todas as regiões do país.
Ao comentar as dificuldades da administração, o presidente reconheceu que ainda há desafios, mas afirmou que o governo segue avançando. "Nem Deus terminou de criar o mundo em menos de sete dias", disse em tom descontraído.
Outro ponto que recebeu destaque durante sua fala foi o combate à violência contra a mulher. Lula fez um apelo para que homens que pratiquem agressões não votem nele e reforçou que nenhuma relação dá direito de posse sobre outra pessoa, incentivando mulheres vítimas de violência a denunciarem seus agressores.
Na área política, Lula também sinalizou que pretende enfrentar o debate sobre o modelo de distribuição das emendas parlamentares caso seja reeleito, afirmando que haverá discussões sobre o papel do Legislativo na execução do orçamento público.
UMA TRAJETÓRIA QUE COMEÇOU EM PERNAMBUCO
Natural do distrito de Caetés, que à época pertencia ao município de Garanhuns, Lula nasceu em outubro de 1945 e construiu uma das trajetórias políticas mais conhecidas da história brasileira.
Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, onde trabalhou como engraxate, office-boy e, posteriormente, formou-se torneiro mecânico pelo Senai. Foi no movimento sindical do ABC Paulista que ganhou projeção nacional ao liderar as históricas greves dos metalúrgicos no fim da década de 1970.
Em 1980 participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e iniciou uma longa carreira eleitoral. Disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, sendo derrotado por Fernando Collor. Voltou a concorrer em 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso.
A vitória chegou em 2002, seguida da reeleição em 2006. Após deixar o governo, voltou ao Planalto em 2022, tornando-se o único presidente brasileiro eleito pelo voto direto em três oportunidades.
Lula também viveu um dos períodos mais turbulentos da política nacional. Em 2018 teve sua candidatura barrada pela Justiça Eleitoral após condenação em segunda instância e permaneceu preso por 580 dias em Curitiba. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações, reconhecendo a parcialidade do então juiz Sergio Moro, devolvendo seus direitos políticos e permitindo sua candidatura em 2022.
Agora, aos 80 anos, Lula busca o quarto mandato presidencial. Se vencer a eleição, chegará a 16 anos como presidente da República, tornando-se o chefe do Executivo com maior tempo de mandato obtido por meio de eleições diretas na história democrática do país.
Casado com a socióloga Janja da Silva, Lula é pai de cinco filhos e inicia oficialmente mais uma campanha presidencial, apostando na experiência administrativa e nos programas implementados ao longo de seus governos para buscar a permanência no Palácio do Planalto.
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