sábado, 22 de agosto de 2026

MARILIA PERDE A GORDURA E DISPUTA PELO SENADO FICA EMBOLADA EM PERNAMBUCO

A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira colocou ainda mais fogo na disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado. E o principal recado do levantamento é claro: Marília Arraes perdeu a gordura que tinha acumulado e o favoritismo que vinha carregando nas primeiras pesquisas já não existe mais.

O cenário agora é de verdadeiro embolo.

Marília aparece com 15%, seguida de perto por Humberto Costa, com 14%, Mendonça Filho, com 12%, e Eduardo da Fonte, com 11%. Considerando a margem de erro, os quatro estão tecnicamente empatados. Túlio Gadêlha tem 5%, enquanto Carlos Santana e Pastor Gilvan Costa aparecem com 2% cada. Os demais candidatos oscilam entre 0% e 1%.

Ou seja: a corrida que parecia ter donos definidos virou uma disputa aberta.

E há um detalhe político importante nessa fotografia. A pesquisa mostra a governadora Raquel Lyra com 47% contra 40% de João Campos na disputa pelo Governo de Pernambuco. São sete pontos de vantagem. Ao mesmo tempo, os candidatos ao Senado ligados ao campo governista ainda não conseguiram transformar a força eleitoral da governadora em votos próprios.

Isso abre uma enorme janela de oportunidade.

Se Raquel ampliar a vantagem sobre João Campos e mantiver uma campanha competitiva até outubro, poderá exercer um papel decisivo na eleição dos seus aliados para o Senado. A história política de Pernambuco mostra que candidatos à reeleição com força eleitoral costumam carregar nomes de sua chapa.

Mas a conta não é tão simples.

Humberto Costa tem Lula, o PT e uma marca eleitoral consolidada ao seu lado. A grande pergunta é se o presidente conseguirá transferir votos suficientes para garantir a eleição do petista. Em 2022, Lula teve papel importante na campanha de Teresa Leitão, que acabou eleita para o Senado.

Do outro lado, João Campos, mesmo aparecendo atrás na disputa pelo Governo, ainda possui uma máquina política expressiva, forte presença na Região Metropolitana e uma base capaz de impulsionar pelo menos um nome para a Câmara Alta.

A questão é: quem será esse nome?

A propaganda pode virar o jogo

A campanha eleitoral ainda está em uma fase inicial. A propaganda no rádio e na televisão começa em 28 de agosto e segue até 1º de outubro. É nesse período que o eleitor começará a conhecer melhor os candidatos, suas histórias, seus padrinhos políticos e, principalmente, quem está efetivamente disposto a colocar a máquina política para pedir votos por eles.

E isso pode mudar completamente a fotografia atual.

Até aqui, muitos candidatos ao Senado ainda tiveram pouca exposição. O eleitor, em boa parte, sequer sabe exatamente quem são todos os nomes colocados na disputa. Com a propaganda eleitoral, alianças, apoios e pedidos explícitos de voto, a tendência é que o quadro fique mais nítido.

Por isso, cravar hoje quem serão os dois eleitos é praticamente brincar de adivinhação.

A espontânea chama atenção

Outro dado do Datafolha merece atenção especial: a pesquisa espontânea para governador.

Nesse formato, o eleitor não recebe uma lista de nomes. Ele simplesmente responde em quem pretende votar. E, nesse cenário, Raquel Lyra aparece com vantagem ainda maior sobre João Campos.

Isso significa que a governadora já possui um grau relevante de presença na cabeça do eleitor, mesmo sem o estímulo provocado pela apresentação dos candidatos.

Na pesquisa estimulada, os nomes são apresentados ao entrevistado. Na espontânea, não. É o eleitor quem precisa lembrar, por conta própria, em quem pretende votar.

E essa diferença pode ser politicamente importante.

Se Raquel conseguir transformar essa vantagem em uma distância ainda maior nas próximas semanas, a eleição para o Senado poderá sofrer um efeito direto: quanto mais forte estiver a governadora, maior tende a ser sua capacidade de puxar os candidatos da sua chapa.

Marília perde a gordura

O dado mais simbólico da pesquisa, porém, está no desempenho de Marília Arraes.

Ela continua numericamente na liderança, mas a gordura desapareceu.

A vantagem que antes parecia confortável agora é mínima diante de quatro candidatos tecnicamente embolados. Com 15%, Marília está apenas três pontos à frente de Mendonça Filho e quatro de Eduardo da Fonte, enquanto Humberto Costa aparece praticamente colado.

Isso muda completamente o jogo.

A eleição para o Senado, tradicionalmente, é a última grande decisão do eleitor. Primeiro vêm presidente e governador. Depois, deputado federal e deputado estadual. Só então chega o momento de escolher os dois senadores.

Mas 2026 pode ser diferente.

Com duas vagas, muitos candidatos competitivos e uma disputa que ganhou enorme importância política, o eleitor poderá prestar mais atenção ao Senado do que em eleições anteriores.

E, justamente por isso, o jogo está aberto.

A Datafolha de hoje não aponta dois favoritos absolutos. Aponta quatro candidatos disputando palmo a palmo, uma governadora liderando a corrida pelo Palácio e dois grandes grupos políticos tentando transformar força eleitoral em voto para o Senado.

Até 1º de outubro, muita coisa pode acontecer.

E, pelo andar da carruagem, muita gente ainda vai perder o sono até saber quem ocupará as duas cadeiras de Pernambuco no Senado.

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