quarta-feira, 19 de agosto de 2026

NA LUPA | EDUARDO DA FONTE TRANSFORMA ALIANÇAS EM FORÇA NA CORRIDA PELO SENADO

A eleição para o Senado em Pernambuco começa a ganhar contornos cada vez mais interessantes, e Eduardo da Fonte (PP) vem se colocando como um dos nomes que mais movimentam o tabuleiro político. Depois das turbulências que antecederam a convenção da governadora Raquel Lyra (PSD) e da própria convenção da União Progressista, o deputado federal parece ter virado a chave e entrou definitivamente no modo campanha.

O ponto que chama atenção é a capacidade de Eduardo de dialogar com grupos políticos diferentes. O candidato não está apostando todas as fichas em um único palanque. Ao contrário, vem construindo pontes e ampliando seu espaço justamente onde a disputa pelo Senado promete ser mais acirrada.

Nos últimos dias, apoios como os do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto, de seu filho Gabriel Porto, e de outras lideranças reforçaram essa leitura. Em Caruaru, Tony Gel e Tonynho Rodrigues também declararam apoio ao projeto de Eduardo. São movimentos que possuem peso próprio e ajudam a desenhar uma candidatura com capilaridade regional.

O detalhe que merece atenção é que Eduardo começa a avançar em áreas políticas que não necessariamente estão integralmente alinhadas ao seu palanque majoritário. Essa capacidade de atravessar grupos pode ser decisiva numa eleição em que Pernambuco elegerá dois senadores.

A estratégia lembra, em alguns aspectos, o movimento observado com Humberto Costa. O senador conseguiu preservar e ampliar seu espaço político mesmo circulando em ambientes onde havia diferentes forças disputando protagonismo. Eduardo tenta fazer algo semelhante, construindo uma candidatura que não fique limitada à votação automática de uma única chapa.

E aqui está o ponto central da análise: Eduardo não precisa ser o candidato de todo mundo para crescer; precisa ser uma das opções de voto de grupos diferentes.

Se conseguir consolidar a primeira opção dentro do eleitorado ligado a Raquel Lyra e, ao mesmo tempo, tornar-se uma segunda opção competitiva entre eleitores de outros campos, o deputado poderá construir uma votação bastante expressiva.

A política pernambucana já mostrou inúmeras vezes que eleição para o Senado não se ganha apenas com estrutura partidária. Ganha-se com prefeitos, vereadores, deputados, ex-prefeitos, lideranças locais e, principalmente, com capacidade de transformar apoio político em voto.

Na Lupa: Eduardo da Fonte parece estar montando exatamente essa equação. Enquanto alguns candidatos ainda concentram energia na disputa pelos palanques, ele vem trabalhando na construção de uma rede eleitoral própria. Se essa rede continuar crescendo nas próximas semanas, a candidatura poderá deixar de ser apenas competitiva e passar a incomodar diretamente os favoritos.

A corrida ainda está no começo. Mas uma coisa já ficou evidente: Eduardo da Fonte entrou no jogo para disputar uma das duas cadeiras até o último voto.

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