domingo, 9 de agosto de 2026

O PASSADO AINDA RONDA JOÃO CAMPOS

O passado político de João Campos (PSB) voltou a bater à porta — e, desta vez, pelas redes sociais. Em meio à atual disputa pelo Governo de Pernambuco, declarações feitas pelo então candidato à Prefeitura do Recife, em 2020, estão sendo resgatadas por adversários e utilizadas para colocar o socialista diante de uma pergunta incômoda: o que mudou de lá para cá?

Durante entrevista recente, João Campos foi questionado sobre as duras críticas dirigidas ao PT na eleição municipal de 2020, quando enfrentou Marília Arraes no segundo turno. O atual candidato ao Governo de Pernambuco reconheceu que já teve divergências com os petistas, mas fez questão de afirmar que nunca falou mal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que sempre manteve admiração pelo petista.

O problema é que a internet não costuma esquecer.

Vídeos, trechos de entrevistas e declarações daquele período começaram a circular novamente com força nas redes sociais. Os adversários de João estão apostando justamente no contraste entre o discurso adotado naquele momento e a configuração política atual, na qual o PSB voltou a caminhar lado a lado com o PT e Lula se tornou uma peça central da estratégia eleitoral.

Em 2020, João Campos e Marília Arraes protagonizaram uma das disputas mais duras da história recente do Recife. O segundo turno foi marcado por ataques, críticas e acusações de lado a lado. João representava o PSB, enquanto Marília disputava pelo PT, antes de posteriormente migrar para o Solidariedade.

Aquele confronto deixou marcas.

E elas não desapareceram. Na eleição de 2022, o embate ganhou novo capítulo. Marília Arraes disputou o Governo de Pernambuco pelo Solidariedade, enquanto o PSB lançou Danilo Cabral, que recebeu o apoio do PT. Novamente, declarações e críticas feitas durante a batalha eleitoral de 2020 foram utilizadas para tentar expor as contradições dos grupos envolvidos.

Agora, em 2026, o roteiro volta a se repetir.

A diferença é que João Campos não está mais disputando apenas a Prefeitura do Recife. Ele tenta conquistar o Governo de Pernambuco e precisa ampliar seu eleitorado para além da capital. Para isso, a aproximação com o campo político de Lula e com setores que antes estavam do outro lado da trincheira se tornou parte importante da composição eleitoral.

É justamente nesse ponto que seus adversários encontraram munição.

A estratégia é simples: recuperar frases antigas, colocar lado a lado com declarações atuais e deixar para o eleitor interpretar a mudança de posicionamento. Na política, poucas coisas rendem tanto quanto uma contradição aparente.

João tenta separar as críticas feitas ao PT das críticas a Lula. É uma defesa politicamente compreensível. Mas seus adversários trabalham para provar que, naquele momento, a fronteira entre uma coisa e outra não era tão clara quanto agora se tenta apresentar.

O episódio mostra que, em uma eleição cada vez mais marcada pelas redes sociais, o arquivo virou adversário.

Tudo o que foi dito diante das câmeras pode reaparecer anos depois, editado, compartilhado e transformado em peça eleitoral. E João Campos, que construiu uma imagem de político jovem, moderno e estrategicamente preparado, começa a perceber que sua própria trajetória também será colocada sob escrutínio.

O passado, portanto, ainda ronda João Campos.

E quanto mais a campanha avança, maior será a pressão para que ele explique não apenas o que pensa hoje, mas também o que dizia quando seus atuais aliados estavam do outro lado do palanque.

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