A Delegacia da Polícia Federal em Caruaru instaurou diligências no âmbito do Inquérito Policial nº 2026.0031754-DPF/CRU/PE e requisitou à Prefeitura de Garanhuns toda a documentação referente ao Convênio nº 11405/2014, firmado entre o município e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), destinado à construção de cinco creches durante a administração de Izaías Régis.
O pedido é amplo e não deixa margem para dúvidas. A PF quer acesso ao processo licitatório completo, notas de empenho, notas fiscais, relatórios de medição, comprovantes de despesas, documentos da evolução física das obras e todas as informações capazes de explicar por que os empreendimentos foram abandonados antes da conclusão.
Na prática, os investigadores querem saber quanto dinheiro federal entrou, como esses recursos foram utilizados, quanto efetivamente foi executado e quais fatores levaram à paralisação das obras que deveriam beneficiar centenas de crianças de Garanhuns.
O caso não é novo. As cinco creches já são alvo de uma Tomada de Contas Especial instaurada pelo FNDE e em tramitação no Tribunal de Contas da União (TCU), procedimento que busca identificar responsabilidades e eventual ressarcimento ao erário. As obras também foram incluídas no programa federal de retomada de empreendimentos paralisados na educação.
Quando assumiu a Prefeitura, o governo Sivaldo Albino informou ter encontrado 22 obras inacabadas espalhadas pelo município, entre elas as cinco creches do FNDE. Desde então, a gestão municipal afirma ter iniciado um trabalho técnico para recuperar os projetos e buscar recursos para concluir os equipamentos públicos, inclusive obtendo do Governo Federal o reconhecimento para ressarcimento de investimentos feitos na retomada dessas obras.
A entrada da Polícia Federal eleva o caso a um novo patamar. Não se trata mais apenas de uma discussão administrativa sobre obras paralisadas. Agora, a investigação busca esclarecer se houve irregularidades na execução dos recursos federais e identificar quem deve responder pelo abandono de empreendimentos que, mais de uma década depois, continuam simbolizando uma das maiores dívidas da antiga gestão com a educação infantil de Garanhuns.
Enquanto a PF reúne documentos e cruza informações, permanece uma pergunta que a população também faz: como cinco creches financiadas com dinheiro federal ficaram pelo caminho e quem será responsabilizado por esse prejuízo para as crianças e para os cofres públicos?
Nenhum comentário:
Postar um comentário