Por Edney Souto
A política pernambucana ganhou mais um capítulo daqueles que mostram como, em ano eleitoral, cada partido pode ter uma posição — e a federação, outra.
O PSDB decidiu apoiar a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), mas a Federação PSDB-Cidadania optou oficialmente pela neutralidade na disputa pelo Governo de Pernambuco.
A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (7) pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, depois de uma queda de braço interna envolvendo tucanos e integrantes do Cidadania.
O problema é que o Cidadania decidiu caminhar com João Campos (PSB). A direção nacional da legenda interveio no diretório estadual e oficializou o apoio ao candidato socialista.
Do outro lado, o PSDB pernambucano está alinhado com Raquel. O presidente estadual da legenda, Rubens Júnior, integra o grupo político da governadora.
CONVENÇÃO VIROU CAMPO DE BATALHA
O impasse ganhou força justamente no dia da convenção estadual.
Na ocasião, sob o comando de Fred Loyo, aliado de Raquel, a Federação PSDB-Cidadania aprovou uma coligação com o PSD e a respectiva ata foi encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral.
Depois, uma segunda ata chegou ao TRE modificando parte da decisão anterior. As candidaturas proporcionais foram mantidas, mas a aliança para a disputa majoritária deixou de constar.
Foi aí que a confusão política ficou evidente.
AÉCIO ASSUME A FEDERAÇÃO
Como consequência da crise interna, Aécio Neves passou a comandar a Federação PSDB-Cidadania em Pernambuco, substituindo Fred Loyo.
Mesmo diante da decisão de neutralidade da federação, Aécio fez questão de deixar claro que o PSDB tem lado na eleição para governador.
Em nota, o dirigente nacional afirmou que o partido mantém “integral apoio” à reeleição de Raquel Lyra.
A manifestação também conta com o respaldo da direção nacional tucana, da bancada federal e de nomes históricos do partido.
TUCANOS NÃO ESCONDEM O JOGO
Na prática, a situação ficou bastante peculiar: a federação não apoia oficialmente nenhum dos candidatos, mas o PSDB, individualmente, declara apoio a Raquel Lyra.
E não é apenas uma posição simbólica.
O partido informou que suas nominatas para a Câmara Federal e para a Assembleia Legislativa de Pernambuco também continuarão apoiando a governadora.
Entre os principais nomes da chapa proporcional está o deputado federal Pastor Eurico.
O RECADO POLÍTICO
A decisão mostra que a disputa entre Raquel Lyra e João Campos já está provocando rachaduras e movimentos importantes dentro das estruturas partidárias.
O Cidadania escolheu João.
O PSDB escolheu Raquel.
E a federação, para evitar uma ruptura maior entre os dois partidos, escolheu ficar neutra.
No papel, neutralidade.
Na prática, porém, o PSDB pernambucano já deixou claro de que lado está.
E em uma eleição cada vez mais apertada, esse tipo de movimento pode ter peso importante na montagem das alianças, no palanque e, principalmente, na transferência de votos para a disputa de outubro.
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