quarta-feira, 12 de agosto de 2026

RAQUEL LYRA É ALVO DE “CHAPA ANTI-LULA”, MAS MANTÉM FOCO EM PERNAMBUCO

Por Edney Souto | Blog do Edney

A disputa eleitoral de 2026 já começa a ganhar temperatura em Pernambuco, mesmo antes do período oficial de campanha. Ontem, um panfleto sem identificação passou a circular pelas ruas do Recife com uma montagem envolvendo a governadora Raquel Lyra (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL). Na imagem, os dois aparecem abraçados, acompanhados da frase “Chapa anti-Lula”.

A montagem, visivelmente manipulada, tem um objetivo político bastante claro: tentar colar na governadora a imagem de uma candidatura alinhada ao bolsonarismo e, ao mesmo tempo, explorar a polarização nacional dentro da disputa pelo Governo de Pernambuco.

A estratégia não é nova. Em 2022, quando disputou o segundo turno contra Marília Arraes, Raquel também foi alvo de ataques por sua postura de neutralidade na eleição presidencial. A decisão de não declarar apoio nem a Lula nem a Jair Bolsonaro foi utilizada pelos adversários para tentar aproximá-la do eleitorado bolsonarista.

Quatro anos depois, a narrativa volta a ser colocada em circulação. Só que agora Raquel ocupa o Palácio do Campo das Princesas, tenta a reeleição e tem uma estratégia política diferente: não misturar a agenda institucional do Governo de Pernambuco com a disputa política nacional.

Ao contrário do que seus adversários tentam sugerir, Raquel tem procurado manter uma relação institucional com diferentes forças políticas, independentemente de alinhamentos ideológicos. O foco, segundo essa estratégia, está em garantir investimentos, obras, recursos e ações para Pernambuco, sem transformar cada encontro político ou institucional em uma declaração de alinhamento nacional.

Essa postura permite à governadora transitar por diferentes setores. Sua chapa não é uma composição exclusivamente de direita, tampouco pode ser apresentada como uma extensão do bolsonarismo. O próprio PSD tem Ronaldo Caiado na disputa presidencial, enquanto na corrida pelo Senado aparecem Túlio Gadêlha, identificado com o campo progressista, e Eduardo da Fonte, que ocupa uma posição de centro-direita. Na vice, está Priscila Krause, que possui trajetória política ligada ao antigo PFL.

A realidade, portanto, é muito mais complexa do que o rótulo estampado no panfleto.

Raquel sabe que, diante da candidatura de João Campos (PSB), passou a ocupar um espaço importante para setores de centro e direita que procuram uma alternativa ao socialista. Mas isso não significa que precise assumir uma identidade bolsonarista para conquistar esse eleitorado.

Essa é uma das principais equações da eleição. A governadora precisa preservar o eleitor de direita que pode enxergá-la como a candidatura mais competitiva contra João Campos, sem permitir que a oposição consiga empurrá-la para uma posição que afaste setores de centro e eleitores que mantêm identificação com o presidente Lula.

Por isso, a tentativa de apresentar Raquel como integrante de uma suposta “chapa anti-Lula” tem mais de estratégia eleitoral do que de retrato fiel da sua posição política.

A governadora tem construído sua candidatura em outra direção. Enquanto os adversários tentam nacionalizar a disputa, Raquel procura manter o discurso concentrado em Pernambuco, nas obras, nos investimentos, na saúde, na educação, na segurança, na infraestrutura e nas entregas da gestão estadual.

É uma escolha calculada. Raquel não precisa transformar a eleição presidencial em pauta permanente do Governo de Pernambuco. Sua aposta é mostrar que consegue dialogar com diferentes forças e, ao mesmo tempo, manter o Estado como prioridade.

A oposição, naturalmente, vai tentar definir Raquel antes que ela consiga definir a própria candidatura. Os panfletos apócrifos fazem parte dessa disputa pela narrativa.

A questão agora é saber se o eleitor pernambucano vai comprar a imagem construída pelos adversários ou se vai avaliar Raquel pelo caminho que ela própria vem tentando apresentar: uma governadora que mantém independência política, preserva o diálogo institucional e coloca Pernambuco acima da polarização nacional.

No jogo eleitoral, a tentativa de carimbar Raquel já começou. Mas a governadora parece disposta a responder nas urnas com uma mensagem diferente: menos Brasília, menos polarização e mais Pernambuco.

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