terça-feira, 22 de setembro de 2026

A ÚLTIMA CARTADA DE JOÃO: SERÁ QUE LULA VAI FAZER A DIFERENÇA DESTA VEZ?

POLÍTICA NA LUPA - Edney Souto 

A campanha de João Campos chegou ao momento da verdade. Com Raquel Lyra à frente nas pesquisas e o calendário eleitoral apertando o cerco, a Frente Popular parece ter decidido colocar na mesa sua última grande aposta: Lula.

A presença do presidente em Pernambuco passou a ser tratada como um trunfo capaz de incendiar a campanha, mobilizar as ruas, consolidar o eleitorado de esquerda e, principalmente, tentar mudar uma fotografia eleitoral que hoje não é a que João gostaria de apresentar.

Mas existe um detalhe que a euforia dos palanques não pode apagar: Lula já entrou em campo por um candidato da Frente Popular em Pernambuco e o resultado não foi exatamente o esperado.

Em 2022, Lula foi o candidato oficial de Danilo Cabral. O apoio foi explícito, houve agendas, imagens, discurso, propaganda eleitoral e uma operação política para tentar transferir a popularidade do então candidato à Presidência para o socialista. Em determinado momento, a própria Justiça Eleitoral determinou mudanças na propaganda de Danilo porque a participação de Lula havia ultrapassado o limite permitido.

E qual foi o resultado?

Danilo Cabral terminou aquele primeiro turno em quarto lugar, com 18,06% dos votos, atrás de Marília Arraes, Raquel Lyra e Anderson Ferreira. Lula, por sua vez, havia alcançado 65% dos votos válidos em Pernambuco na disputa presidencial.

Ou seja: o tamanho de Lula não se transformou automaticamente no tamanho de Danilo.

É justamente esse fantasma que ronda a estratégia de João Campos agora.

A diferença é que João possui uma relação política muito mais consolidada com o eleitorado do Recife e tem uma estrutura própria de campanha. Mas a pergunta continua pertinente: até onde vai a força de Lula quando o voto é para governador?

Porque uma coisa é o eleitor votar em Lula para presidente. Outra é esse mesmo eleitor decidir que precisa votar no candidato indicado por Lula para comandar Pernambuco.

Em 2022, essa transferência encontrou limites bastante claros.

Agora, a Frente Popular aposta que a história será diferente.

João Campos precisa que seja.

A vinda de Lula pode produzir uma enorme fotografia política, reunir militância, lotar ruas e gerar uma avalanche de imagens nas redes sociais. Pode também reforçar a identidade da chapa com o eleitorado lulista.

Mas campanha não termina na fotografia.

O desafio será transformar o abraço, o palanque e o discurso em números.

E o tempo é curto.

Raquel Lyra, enquanto isso, tem uma estratégia diferente: manter a eleição no terreno estadual, falar de governo, obras, entregas e tentar evitar que a disputa seja transformada em uma espécie de plebiscito sobre Lula.

É aí que a reta final ganha contornos interessantes.

João aposta no peso nacional de Lula para tentar alterar o jogo.

Raquel tenta fazer o eleitor olhar para Pernambuco.

E no meio dessa disputa está a grande pergunta da eleição: Lula conseguirá fazer por João Campos o que não conseguiu fazer por Danilo Cabral?

Em 2022, o presidente teve força suficiente para vencer a eleição presidencial em Pernambuco, mas seu candidato ao governo não chegou sequer ao segundo turno.

Agora, quatro anos depois, a Frente Popular coloca novamente o nome de Lula no centro da operação.

Pode ser uma cartada poderosa.

Pode ser apenas uma grande mobilização política.

O que não existe mais é tempo para esperar.

João precisa que Lula não seja apenas o maior nome do palanque. Precisa que a força de Lula atravesse o palanque, atravesse a campanha e chegue à urna.

Porque, no fim das contas, Pernambuco já viu esse filme em 2022.

E sabe que Lula pode ser gigante nas urnas para presidente sem necessariamente carregar junto o candidato que está ao seu lado na fotografia.

POLÍTICA NA LUPA — BLOG DO EDNEY

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