sábado, 5 de setembro de 2026

ALIADOS DE JOÃO CAMPOS ADMITEM ERRO DE ESTRATÉGIA E RECONHECEM AVANÇO DE RAQUEL NA DISPUTA PELO GOVERNO DE PERNAMBUCO

Longe dos microfones ligados e sob a condição de anonimato, aliados do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) já fazem uma avaliação mais dura sobre os caminhos percorridos pela pré-campanha socialista ao Governo de Pernambuco. Para integrantes do grupo, houve um erro de estratégia que ajudou a explicar a redução da vantagem que João apresentava nas pesquisas há cerca de um ano.

A avaliação é de que a aposta excessiva nas redes sociais, sem a mesma intensidade na articulação política tradicional, acabou deixando espaços que foram ocupados pela governadora Raquel Lyra (PSD).

“Houve um erro de estratégia. Não podia ser só rede social. Faltaram cabelos brancos, tinha que ter política, conversa, como está sendo feito. Do outro lado, a governadora se movimentou, movimentou a máquina”, reconheceu um aliado, em conversa reservada.

A leitura feita dentro do grupo de João Campos não significa, necessariamente, que o socialista tenha perdido terreno de forma acelerada. O que ocorreu, segundo essa avaliação, foi uma combinação de fatores: a redução da vantagem inicial de João, o crescimento progressivo de Raquel e uma mudança na percepção do eleitorado sobre a gestão estadual.

A governadora passou a ocupar mais espaços no interior, intensificou a agenda política e associou sua imagem à entrega de obras e programas. Segurança, saúde, abastecimento de água, infraestrutura e recuperação da malha viária passaram a fazer parte de uma estratégia permanente de exposição da gestão.

Esse movimento produziu reflexos nas pesquisas.

Em agosto de 2025, na primeira Genial/Quaest, João Campos aparecia com 55% das intenções de voto, contra 24% de Raquel. Eram 31 pontos de diferença, em um cenário que naquele momento parecia apontar para uma vantagem bastante confortável do socialista.

O quadro, porém, começou a se modificar.

Em abril de 2026, o Datafolha mostrou João ainda na liderança, mas com uma distância significativamente menor: 50% contra 38% de Raquel. A diferença, que havia sido de 31 pontos, caiu para 12.

Na sequência, a Genial/Quaest confirmou a tendência de aproximação. João apareceu com 42%, enquanto Raquel alcançou 34%. Mais do que os números da intenção de voto, entretanto, chamou atenção dentro do campo governista a evolução da avaliação da administração estadual.

Naquela rodada, 57% dos entrevistados disseram que Raquel merecia ser reeleita. O dado representou uma mudança importante em relação ao cenário de agosto de 2025, quando predominava entre os pernambucanos a avaliação contrária a um novo mandato.

A eleição, que inicialmente parecia caminhar para uma larga vantagem de João Campos, passou então a ganhar contornos de disputa aberta.

João também deixou para trás a condição de prefeito do Recife, cargo que lhe garantia forte exposição institucional e uma presença diária na capital. Ao assumir de vez a condição de pré-candidato e percorrer o Estado, passou a enfrentar uma dinâmica diferente: deixou de falar a partir da cadeira de prefeito e passou a disputar espaço político diretamente com uma governadora que permaneceu no cargo e utiliza a estrutura institucional para apresentar resultados da gestão.

É justamente aí que os aliados de João identificam uma das principais mudanças do cenário.

Enquanto o socialista precisou construir uma candidatura estadual a partir da saída da Prefeitura do Recife, Raquel teve à disposição uma agenda permanente de governo, com inaugurações, anúncios, obras, programas e viagens pelo interior.

O resultado foi uma mudança gradual na fotografia eleitoral.

João não desapareceu da disputa e continua competitivo. Mas deixou de ostentar os percentuais superiores a 50% registrados no início da corrida. Raquel, por sua vez, saiu de um cenário de forte desvantagem e passou a disputar a liderança em condições muito mais favoráveis.

Levantamentos realizados ao longo de 2026 chegaram a registrar a governadora numericamente à frente, consolidando uma transformação que, um ano antes, parecia improvável.

Nos bastidores, a conclusão de parte do grupo socialista é que a eleição deixou de ser uma corrida baseada apenas em popularidade e presença digital. A política tradicional voltou para o centro do jogo.

Prefeitos, lideranças regionais, vereadores, deputados, grupos políticos e presença territorial passaram a ter peso cada vez maior.

E Raquel percebeu isso antes.

Agora, o desafio de João Campos é transformar sua forte presença eleitoral em uma estrutura política capaz de disputar Pernambuco município por município. A eleição, que começou com cara de passeio para o socialista, ganhou outro roteiro.

E, no xadrez eleitoral pernambucano, a governadora já não está apenas reagindo. Está jogando para vencer.

Se quiser, posso também transformar essa mesma matéria em uma versão mais ácida, com título de impacto e mais “bastidores de poder”, bem na pegada da Coluna Na Lupa.

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