JOÃO CAMPOS APARECE COM 46% CONTRA 45% DE RAQUEL LYRA, MAS O CAMPO FOI REALIZADO ENTRE 23 E 26 DE SETEMBRO — ANTES E DEPOIS DO ATO DE LULA NO RECIFE
A nova pesquisa IPESPE mexeu na fotografia da eleição para o Governo de Pernambuco, mas a cronologia do levantamento merece atenção.João Campos aparece numericamente à frente, com 46%, contra 45% de Raquel Lyra. A diferença de apenas um ponto está dentro da margem de erro, portanto os dois permanecem tecnicamente empatados.
Só que existe um detalhe importante: as entrevistas não foram realizadas todas depois da visita de Lula a Pernambuco.
O IPESPE ouviu 1.000 eleitores entre os dias 23 e 26 de setembro. O ato político de Lula ao lado de João Campos aconteceu na sexta-feira, 25 de setembro. Isso significa que o levantamento captou um período que começou antes da mobilização presidencial e terminou depois dela.
Portanto, não seria correto afirmar que a pesquisa mede simplesmente “o efeito Lula”.
O máximo que os números permitem dizer é que parte do período de coleta coincidiu com a chegada de Lula ao Recife e com o grande ato de campanha realizado ao lado de João Campos.
E isso deixa uma questão em aberto para as próximas pesquisas: se houve algum impacto eleitoral daquele movimento, ele poderá aparecer de maneira mais completa somente em levantamentos realizados integralmente depois do ato.
RAQUEL CONTINUA COM UM ATIVO IMPORTANTE: A APROVAÇÃO DO GOVERNO
Enquanto a disputa eleitoral aparece praticamente empatada no IPESPE, Raquel Lyra chega à reta final carregando outro número que não pode ser ignorado.
A pesquisa Quaest divulgada poucos dias antes apontou 61% de aprovação ao governo Raquel, enquanto 27% desaprovavam a gestão. O mesmo levantamento mostrou 63% dos entrevistados dizendo que a governadora merece ser reeleita.
É um dado politicamente relevante porque mostra que a avaliação da administração não está acompanhando exatamente a fotografia da intenção de voto.
Em outras palavras: uma coisa é aprovar o governo; outra é transformar essa aprovação em voto para a candidata que está no governo.
Essa diferença pode ser uma das chaves para entender a reta final.
Raquel tem um patrimônio administrativo mensurável nas pesquisas. João Campos, por sua vez, busca transformar sua força política, sua presença na Região Metropolitana e o apoio de Lula em transferência efetiva de votos.
O IPESPE REGISTROU UMA MUDANÇA, MAS NÃO UMA LIDERANÇA CONSOLIDADA
Na pesquisa anterior do próprio IPESPE, realizada em julho, Raquel aparecia com 46% e João Campos com 44%.
Agora, João chega a 46% e Raquel aparece com 45%.
Há, portanto, uma mudança na fotografia do instituto. Mas é preciso colocar os números dentro da margem de erro: um ponto percentual de diferença não permite afirmar que João esteja efetivamente à frente de Raquel.
No segundo turno, o cenário também é apertado: João aparece com 48%, contra 46% de Raquel. Novamente, a diferença está dentro da margem de erro.
E É AQUI QUE A ELEIÇÃO FICA INTERESSANTE
O IPESPE não entrega uma eleição resolvida.
Entrega uma eleição comprimida.
João aparece numericamente à frente, mas não abre vantagem estatisticamente segura. Raquel recua um ponto em relação à rodada anterior do instituto, mas permanece praticamente colada ao adversário.
Ao mesmo tempo, os índices de aprovação da governadora mostram que existe um contingente expressivo de eleitores avaliando positivamente sua administração.
E há ainda a variável Lula.
Só que a cronologia precisa ser respeitada: o ato aconteceu no meio do período de coleta, e não antes de toda a pesquisa.
Essa distinção é fundamental.
AGORA A PRÓXIMA PESQUISA TERÁ OUTRO PESO
Se o objetivo é medir eventual repercussão do ato de Lula, o próximo levantamento terá uma característica diferente: poderá captar um período posterior à mobilização, sem misturar entrevistas feitas antes e depois do evento.
É justamente por isso que a pesquisa divulgada nesta segunda-feira deve ser lida como uma fotografia de transição.
Ela registra João numericamente à frente, Raquel praticamente empatada e uma eleição ainda aberta do ponto de vista estatístico.
Mas também deixa uma pergunta sobre a mesa:
O MOVIMENTO DE LULA CONSEGUIU ALTERAR O CENÁRIO OU APENAS ACOMPANHOU UMA DISPUTA QUE JÁ VINHA SE APERTANDO?
O IPESPE de hoje não responde sozinho.
E talvez seja justamente essa a maior notícia da pesquisa.
PERNAMBUCO CHEGA À RETA FINAL COM JOÃO E RAQUEL SEPARADOS POR UM PONTO, ENQUANTO A GOVERNADORA CARREGA ÍNDICES DE APROVAÇÃO ACIMA DOS 60% E O CAMPO ELEITORAL PASSA A SER MEDIDO DIA APÓS DIA.
Agora, mais do que nunca, cada nova pesquisa precisará ser lida junto com a data de coleta.
Porque, nesta reta final, a data em que o eleitor foi ouvido pode ser tão importante quanto o número que aparece na tabela.
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