No caso da revitalização da orla de Boa Viagem, o contrato passou de R$ 109 milhões para aproximadamente R$ 146 milhões. Já a reforma do Mercado de São José recebeu cerca de R$ 8 milhões em acréscimos. João Campos sustentou que os aumentos ocorreram dentro da legalidade e que obras de grande porte estão sujeitas a imprevistos. “Imprevistos acontecem durante o serviço. Nós superamos os imprevistos dentro da lei”, afirmou.
Segundo o candidato, a obra de Boa Viagem envolve uma série de intervenções subterrâneas, como redes de saneamento, abastecimento de água, gás, energia elétrica e telecomunicações. Ele argumentou que essas estruturas acabam provocando interferências durante as escavações.
A justificativa, entretanto, não elimina a principal dúvida: até que ponto um projeto de engenharia de grande porte poderia ter antecipado parte dessas situações antes da contratação e do início dos trabalhos? João Campos explicou que alterações precisam passar por engenheiros, projetistas, fiscais, secretarias responsáveis e órgãos de controle. Para ele, o procedimento demonstra que os aditivos obedeceram às regras.
“Tem gente que faz obra e tem gente que não faz obra”, repetiu o candidato, numa tentativa de colocar a discussão no campo da realização de obras públicas. O problema é que a legalidade de um aditivo não encerra, por si só, o debate sobre planejamento, dimensionamento inicial dos contratos e custo final para os cofres públicos. E foi justamente nesse ponto que a resposta de João Campos não conseguiu ser totalmente convincente.
No Mercado de São José, os acréscimos chegaram a aproximadamente R$ 8 milhões. João Campos atribuiu parte da elevação dos custos a uma descoberta arqueológica durante as escavações. Segundo ele, o trabalho inicialmente realizado com máquinas precisou ser interrompido para que arqueólogos atuassem manualmente na preservação dos vestígios encontrados.
“Foi feito um dos maiores achados arqueológicos da história do Recife”, afirmou. O argumento pode explicar parte das alterações, mas também deixa espaço para questionamentos sobre o planejamento de uma intervenção em um equipamento histórico com mais de um século de existência.
Ao longo da entrevista, João Campos aproveitou para transformar as explicações sobre os contratos em uma comparação política com a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD). O ex-prefeito voltou a citar obras e programas realizados no Recife e afirmou que pretende levar o mesmo modelo para o restante do Estado.
Quando questionado sobre problemas estruturais, falta de profissionais e rodízio de horários em creches da Prefeitura do Recife, o candidato classificou os casos como pontuais e afirmou que a situação melhorou após a nomeação de novos profissionais e a requalificação das unidades. João Campos também destacou a expansão da rede municipal e afirmou que o Recife triplicou o número de vagas em creches, com atendimento em horário integral e cinco refeições por dia.
Na comparação com o Estado, voltou a explorar uma das principais bandeiras de sua campanha: a promessa de construção de 250 creches pela gestão Raquel Lyra. Segundo João, menos de 15 unidades teriam sido entregues até agora, enquanto o Recife teria aberto mais de 100 novas creches.
A entrevista mostrou João Campos tentando transformar questionamentos sobre custos, aditivos e problemas na rede municipal em uma disputa sobre quem mais realizou obras. A estratégia é clara: colocar de um lado a gestão que ele apresenta como executora e, do outro, um Governo do Estado que tenta caracterizar como lento.
Mas, quando o assunto são milhões acrescentados aos contratos, repetir que “tudo foi feito dentro da lei” não responde completamente às dúvidas sobre planejamento e aumento dos custos. João Campos apresentou suas justificativas, mas não conseguiu afastar a sensação de que algumas respostas ficaram mais no campo político do que no esclarecimento objetivo dos números.
No debate eleitoral, a conta das obras tende a continuar sendo um dos assuntos mais explorados pelos adversários. E, nesse primeiro momento, a explicação apresentada pelo ex-prefeito não parece ter sido suficiente para fechar essa conta.
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