quinta-feira, 3 de setembro de 2026

NA LUPA - EFEITO CURY: CANDIDATO DO AVANTE AVANÇA, CHEGA A 10% NA QUAEST E COLOCA LULA E FLÁVIO BOLSONARO NA DISPUTA PELO ELEITOR “SEM LADO”

Por Blog do Edney

A eleição presidencial de 2026 acaba de ganhar um ingrediente que até poucas semanas atrás parecia improvável. Augusto Cury, escritor, psiquiatra e candidato do Avante à Presidência da República, saiu da condição de nome periférico da disputa para ocupar, de maneira isolada, o terceiro lugar nas pesquisas nacionais.

O novo levantamento da Quaest, divulgado nesta quarta-feira (2), colocou Cury com 10% das intenções de voto, atrás apenas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 37%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 30%. O resultado acendeu uma luz amarela nas duas campanhas que hoje concentram a maior parte da disputa presidencial.

Mais do que os 10%, o que chama atenção é onde Cury está crescendo.

O candidato do Avante avançou principalmente entre os eleitores que não se identificam nem com a esquerda nem com a direita. É justamente nesse segmento que a candidatura começa a ganhar contornos de uma alternativa à velha guerra política entre lulistas e bolsonaristas.

Na Quaest, Cury alcança 24% entre os eleitores que se declaram independentes da polarização. O dado revela o tamanho do fenômeno, mas também mostra que existe muito espaço para crescimento: entre esses eleitores, 65% afirmam que ainda não conhecem Cury. 

Ou seja: o candidato chegou a 10% antes mesmo de ser conhecido por uma parcela expressiva do eleitorado que, teoricamente, poderia ser o seu público mais natural.

A DISPARADA QUE MUDOU O TABULEIRO

Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, Augusto Cury aparecia com apenas 2%. Agora, aparece com 10%.

É importante fazer uma ressalva: os dois levantamentos não são diretamente comparáveis, porque houve alteração na relação de candidatos apresentada aos entrevistados. Ainda assim, o salto é suficientemente expressivo para colocar Cury no centro das discussões sobre a eleição presidencial.

E não foi apenas a Quaest que identificou o movimento.

Na pesquisa BTG/Nexus, Cury passou de 2% para 11%. Já no levantamento AtlasIntel/Bloomberg, avançou de 1,6% para 7,8%. Em outras palavras, diferentes institutos passaram a registrar uma mesma tendência: Augusto Cury deixou de ser um candidato praticamente desconhecido para começar a disputar espaço no pelotão da frente.

O crescimento também ocorreu nas redes sociais. Cury ganhou milhões de seguidores em um curto período e passou a ter uma presença digital muito superior àquela registrada semanas atrás.

Esse fenômeno aumentou sua exposição e, consequentemente, sua lembrança junto ao eleitorado.

O ELEITOR QUE NÃO QUER ESCOLHER ENTRE LULA E BOLSONARO

A grande pergunta agora é: de onde estão vindo esses votos?

A resposta mais evidente está no eleitor que cansou da polarização.

Existe no Brasil uma parcela significativa do eleitorado que não se sente representada pelo duelo permanente entre PT e bolsonarismo. São pessoas que não querem necessariamente votar em Lula, mas também não desejam votar em um candidato identificado diretamente com Jair Bolsonaro.

Esse espaço vinha sendo disputado por nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos.

Nenhum deles, porém, conseguiu até agora transformar essa insatisfação em uma candidatura competitiva nacionalmente.

Cury conseguiu.

E conseguiu utilizando uma combinação pouco tradicional na política brasileira: fama construída fora da política, discurso de desenvolvimento pessoal, linguagem emocional, presença maciça nas redes sociais e uma imagem de candidato que tenta se apresentar como alternativa à briga ideológica.

A estratégia encontra eco especialmente entre os eleitores mais jovens.

Na pesquisa BTG/Nexus, Cury chegou a 22% entre os eleitores de 16 a 24 anos e a 17% entre aqueles com ensino superior. Também alcançou 19% entre eleitores classificados como não polarizados e entre aqueles que se definem como contrários tanto a Lula quanto a Bolsonaro. 

O “EFEITO MARÇAL

Outro elemento que não pode ser ignorado é a aproximação de Cury com o universo digital de Pablo Marçal.

O ex-coach e influenciador passou a demonstrar apoio ao candidato do Avante, enquanto a comunicação de Cury ganhou características muito semelhantes às estratégias utilizadas por Marçal em campanhas anteriores.

Vídeos curtos, forte atuação nas redes, linguagem motivacional e estímulo à participação dos seguidores passaram a fazer parte do cotidiano da campanha.

O resultado foi uma explosão de alcance.

Reportagens recentes apontaram que Cury ganhou milhões de seguidores em poucas semanas, transformando sua presença digital em uma das principais marcas de sua campanha. 

O fenômeno, porém, também trouxe questionamentos.

Adversários levantaram suspeitas sobre eventual utilização de propaganda paga ou mecanismos artificiais para ampliar o alcance da candidatura. A campanha de Cury nega irregularidades e atribui o crescimento à estratégia de mobilização digital e ao trabalho de influenciadores e pequenos perfis.

Até aqui, o que existe eleitoralmente é o resultado nas pesquisas: Cury cresceu.

E cresceu muito.

LULA E FLÁVIO TERÃO QUE OLHAR PARA O TERCEIRO COLOCADO

A ascensão do candidato do Avante muda uma equação importante.

Até pouco tempo atrás, a disputa presidencial parecia organizada em torno de dois polos: Lula representando a esquerda e Flávio Bolsonaro ocupando o espaço da direita bolsonarista.

Agora existe um terceiro nome capaz de chegar aos dois dígitos.

Isso não significa, necessariamente, que Cury esteja próximo de disputar o segundo turno. Ainda existe uma distância considerável entre os 10% dele e os 30% de Flávio ou os 37% de Lula.

Mas a eleição não é apenas uma fotografia.

É uma disputa por crescimento.

E Cury acaba de demonstrar que encontrou uma porta de entrada.

O problema para Lula e Flávio é que o eleitor que está escolhendo Cury pode ser justamente aquele que eles mais precisam conquistar no segundo turno.

A campanha petista precisa impedir que Cury roube votos do campo que rejeita Bolsonaro e, ao mesmo tempo, pode tentar atrair parte de seus eleitores caso o candidato do Avante não avance.

Do outro lado, o bolsonarismo também não pode simplesmente atacar Cury de maneira indiscriminada.

Uma parcela importante de quem vota no escritor pode estar mais próxima ideologicamente da direita do que da esquerda. Uma ofensiva agressiva contra ele poderia produzir o efeito contrário e empurrar esse eleitor para o campo de Cury definitivamente.

É por isso que o movimento tende a ser mais cuidadoso.

CURY AINDA TEM UM PROBLEMA: CONHECIMENTO

Apesar da explosão nas pesquisas, Cury ainda enfrenta um obstáculo gigantesco: ser conhecido como político.

O nome Augusto Cury é conhecido por milhões de brasileiros por causa dos livros, palestras e trabalhos ligados à psicologia e ao desenvolvimento emocional.

Mas isso não significa que esse mesmo público conheça suas posições políticas.

A Quaest mostra justamente essa contradição.

Entre os eleitores independentes, 65% dizem não conhecer Cury. Entre aqueles que já o conhecem, 18% afirmam que votariam nele, enquanto 17% dizem conhecê-lo, mas descartam votar no candidato. 

Isso produz uma situação curiosa.

Cury já tem uma marca pessoal nacional, mas ainda precisa transformar essa marca em voto consolidado.

É aí que começa a verdadeira campanha.

SEGUNDO TURNO AINDA É OUTRA HISTÓRIA

Apesar do crescimento expressivo no primeiro turno, a Quaest mostra que Cury ainda perde para Lula em uma eventual segunda rodada.

No cenário testado pelo instituto, Lula aparece com 40%, contra 34% de Cury.

Ao mesmo tempo, o presidente empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro: 42% contra 41%, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. 

Isso revela uma coisa importante.

Cury ainda não chegou ao estágio de ameaça direta aos dois principais candidatos.

Mas já chegou ao estágio em que não pode mais ser ignorado.

E, em uma eleição tão polarizada, isso por si só já representa uma mudança importante.

A TERCEIRA VIA VOLTOU?

Essa é a pergunta que inevitavelmente começa a aparecer.

Durante anos, diferentes candidatos tentaram ocupar o espaço existente entre Lula e Bolsonaro. Alguns chegaram a pontuar bem nas pesquisas, mas nenhum conseguiu romper definitivamente a polarização.

Cury está tentando fazer isso por um caminho diferente.

Não aparece inicialmente como o típico candidato de centro tradicional.

Sua força está mais associada à imagem construída durante décadas como escritor, palestrante e figura pública, somada à capacidade de comunicação nas redes.

É uma terceira via com outra embalagem.

E talvez seja justamente isso que esteja funcionando.

O eleitor que não quer mais discutir Lula contra Bolsonaro pode estar procurando alguém que não pareça pertencer à velha política.

Cury oferece exatamente essa narrativa.

O QUE O “EFEITO CURY” PODE PRODUZIR

A principal consequência da ascensão de Augusto Cury pode não ser necessariamente levá-lo ao segundo turno.

Pode ser obrigar Lula e Flávio Bolsonaro a disputar um eleitorado que até agora estava sendo tratado como secundário.

A existência de um candidato com 10% muda o cálculo eleitoral.

Cada ponto conquistado por Cury representa um ponto que não está, naquele momento, com os dois favoritos.

E existe ainda outro detalhe: a campanha está apenas começando.

A pesquisa Quaest foi realizada entre 30 de agosto e 1º de setembro, com 2.004 entrevistados, e possui margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-07065/2026. 

Portanto, ainda haverá muito tempo para ataques, debates, propaganda eleitoral, alianças, exposição na televisão e, principalmente, para que o eleitor conheça melhor cada candidato.

Cury pode estacionar nos 10%.

Pode voltar a cair.

Mas também pode continuar subindo.

E é justamente essa última possibilidade que começa a incomodar os dois grandes polos da eleição.

O “efeito Cury” ainda não colocou o candidato do Avante no segundo turno. Mas já fez algo que poucos esperavam: transformou um nome praticamente desconhecido na disputa em uma variável capaz de mexer com toda a eleição presidencial.

A partir de agora, Lula e Flávio Bolsonaro terão que olhar não apenas um para o outro.

Terão que olhar também para Cury — e, principalmente, para os milhões de brasileiros que não querem escolher entre os dois lados da polarização.

A matéria acima incorpora os principais dados encontrados na Quaest, BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg, além do contexto sobre redes sociais, eleitor não polarizado e o impacto de Pablo Marçal na ascensão de Cury. 

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