O encontro aconteceu no auditório do Hotel Estação Cruzeiro e reuniu nomes como o ex-prefeito de Pesqueira João Eudes, o advogado e candidato a deputado federal João Prudêncio, o ex-prefeito de Poção Merson Vasconcelos e o ex-prefeito de Sanharó Heraldo Oliveira. Também participaram vereadores de Pesqueira, Sanharó e Buíque, além de empresários e lideranças locais.
E aqui está o ponto que merece ser colocado NA LUPA: Mendonça não está tentando fazer uma campanha de gabinete. Está buscando montar uma rede política município por município, principalmente onde a força das lideranças locais ainda tem enorme capacidade de influenciar o voto.
A movimentação acontece justamente num momento em que a disputa pelas duas vagas de senador permanece completamente aberta.
Na Quaest divulgada nesta terça-feira (8), Mendonça apareceu com 11%, atrás de Marília Arraes, com 17%, e Humberto Costa, com 14%. Pela margem de erro de três pontos percentuais, os três estão dentro de uma faixa de proximidade. Na pesquisa anterior, Mendonça tinha 9% e agora avançou dois pontos.
Mas o dado que talvez seja mais importante para quem está fazendo campanha é outro: 27% ainda estão indecisos e 18% afirmam votar branco, nulo ou não votar. Ou seja, existe um eleitorado enorme que ainda não fechou questão sobre os dois votos para o Senado.
É justamente nesse terreno que a estratégia de Mendonça tenta avançar.
Durante o encontro em Pesqueira, o candidato pediu que as lideranças presentes funcionem como multiplicadores da campanha e reforçou que vem recebendo apoios desde o lançamento de sua candidatura.
“Só tem 35 dias do lançamento da minha candidatura ao Senado e tenho recebido apoios diários. Minha campanha tem chegado longe graças a essa confiança. Vamos multiplicar esse apoio cada dia mais. Vou ser senador e vou honrar o voto de vocês”, afirmou.
A agenda de Pesqueira não aparece isolada. Ela faz parte de uma movimentação maior pelo interior pernambucano. Mendonça também vem ampliando conversas em Afogados da Ingazeira, onde esteve com lideranças e empresários de municípios como Tabira e Carnaíba, além de ter passado por Sertânia, onde recebeu apoio de sete vereadores e do ex-prefeito Guga Lins.
É aí que a eleição começa a ficar interessante.
Mendonça sabe que precisa crescer. E sabe também que uma candidatura ao Senado não se sustenta apenas com exposição na televisão ou presença na Região Metropolitana. Pernambuco é grande, tem realidades políticas completamente diferentes e, no interior, a palavra de um ex-prefeito, de um vereador, de um empresário ou de uma liderança comunitária ainda pode abrir portas importantes.
A própria pesquisa mostra que ninguém está nadando de braçada. Marília, Humberto e Mendonça aparecem próximos dentro da margem de erro, enquanto Eduardo da Fonte tem 7% e Túlio Gadêlha, 4%. Na primeira vaga, Mendonça aparece com 15%, tecnicamente próximo de Marília, com 22%, e Humberto, com 16%.
E existe uma diferença importante: o eleitor pernambucano votará em dois nomes para o Senado.
Isso muda completamente a lógica da eleição.
Não é necessariamente uma disputa em que um candidato precisa simplesmente derrotar todos os outros. É possível construir combinações. Um eleitor pode escolher dois nomes de campos políticos diferentes. Por isso, a capacidade de cada candidato ocupar espaços regionais e dialogar com grupos distintos será decisiva.
Mendonça, que já foi vice-governador, governador, deputado federal e ministro da Educação, conhece bem a geografia política de Pernambuco. Sua candidatura pelo PL também o coloca numa faixa específica do eleitorado, mas a estratégia de interiorização pode ajudar a ampliar seu alcance para além de sua base tradicional. O Senado Federal registra oficialmente sua candidatura pelo PL e seu histórico de atuação política no estado.
NA LUPA: a fotografia de Pesqueira não deve ser analisada apenas pelo número de pessoas no auditório. O que interessa politicamente é quem estava na sala e de quais municípios essas pessoas vieram.
João Eudes, Merson Vasconcelos, Heraldo Oliveira, vereadores, empresários e lideranças de Pesqueira, Sanharó, Buíque e outras cidades representam uma tentativa clara de transformar apoio político em capilaridade eleitoral.
Ainda é cedo para dizer que Mendonça está entre os dois eleitos. A pesquisa não permite essa conclusão. Mas também seria um erro ignorar o movimento.
Quem estava com 9% e aparece agora com 11%, num cenário em que os três primeiros estão tecnicamente próximos, está vivo na disputa.
E mais: com 45% dos entrevistados somando indecisos, brancos, nulos e quem não pretende votar, há uma eleição inteira ainda para acontecer.
No Senado, portanto, a fotografia de hoje pode envelhecer rapidamente.
E Mendonça parece ter escolhido o caminho mais tradicional da política pernambucana para tentar mudar essa fotografia: pé na estrada, conversa com liderança e voto contado município por município.
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