A eleição para o Governo de Pernambuco entrou definitivamente em uma fase de maior tensão. As pesquisas divulgadas nesta semana pelo Real Time Big Data e pelo Instituto Múltipla apresentam fotografias diferentes do cenário eleitoral, mas deixam uma mensagem em comum: a distância entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) diminuiu em relação a levantamentos anteriores e a disputa ganhou contornos mais apertados nesta reta decisiva da campanha.
No Real Time Big Data, João Campos aparece numericamente à frente, com 44%, enquanto Raquel Lyra registra 43%. A diferença de apenas um ponto está dentro da margem de erro, configurando empate técnico. No cenário de segundo turno, a situação é ainda mais equilibrada, com 44% para cada um. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 10 e 14 de setembro.
Já a pesquisa Múltipla, realizada entre 11 e 14 de setembro, apresenta Raquel na dianteira, com 44%, contra 39% de João Campos. A diferença nominal é de cinco pontos, mas também está dentro da margem de erro de 3,3 pontos percentuais. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, Raquel aparecia com 43% e João com 37%, o que significa que os dois avançaram, embora o socialista tenha crescido dois pontos e a governadora um.
É justamente nessa diferença entre as fotografias que está o novo capítulo da eleição pernambucana. Não existe, nos números divulgados, uma confirmação de virada de João Campos, assim como também não há uma confirmação de ampliação da vantagem de Raquel Lyra. O que existe é uma disputa mais comprimida, na qual pequenas oscilações passaram a ter peso significativo no discurso das campanhas e na percepção dos bastidores.
Há poucas semanas, pesquisas como Quaest e Datafolha apresentavam Raquel com uma vantagem mais confortável. A Datafolha divulgada em 11 de setembro apontou 47% para a governadora contra 42% de João. A Quaest havia registrado 43% para Raquel e 37% para João. Agora, o Real Time coloca o socialista numericamente à frente, enquanto o Múltipla mantém a governadora na liderança. O eleitor pernambucano, portanto, está diante de uma eleição que ainda não pode ser traduzida por uma única fotografia.
João Campos, por sua vez, demonstra possuir um eleitorado bastante consolidado. Mesmo quando aparece atrás na estimulada, o socialista consegue manter um percentual expressivo na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado precisa citar o candidato sem receber uma lista de nomes. No Múltipla, Raquel aparece com 30% e João com 24%. A diferença permanece favorável à governadora, mas os 24% espontâneos de João revelam que o nome do candidato já está bastante presente na memória eleitoral de uma parcela significativa do estado.
O desempenho do socialista também é fortemente sustentado pelo Recife e pela Região Metropolitana. No Múltipla, João chega a 52% na capital, contra 32% de Raquel. Na Região Metropolitana, marca 44%, enquanto a governadora aparece com 38%. O cenário muda quando a pesquisa avança para outras regiões do estado. No Agreste, Raquel registra 52% contra 35% de João. No Sertão, a governadora tem 45% contra 33% do socialista. Na Zona da Mata, Raquel aparece com 44% e João com 36%.
É uma divisão territorial que ajuda a explicar por que as pesquisas estaduais podem apresentar resultados tão próximos mesmo quando existe uma diferença significativa em determinadas regiões. João tem uma base muito forte na capital e no entorno metropolitano, enquanto Raquel apresenta desempenho mais consistente fora desse eixo.
Outro elemento que chama atenção é a avaliação do governo estadual. A pesquisa Múltipla aponta que 68% dos entrevistados aprovam a gestão de Raquel Lyra, enquanto 23% desaprovam e 9% não responderam. Na avaliação qualitativa, 48% classificam o governo como ótimo ou bom, 33% como regular e 14% como ruim ou péssimo.
O dado ganha ainda mais relevância quando cruzado com a intenção de voto. Entre os entrevistados que consideram a gestão ótima ou boa, Raquel chega a 69%, enquanto João aparece com 17%. Entre os que classificam o governo como ruim ou péssimo, João alcança 80%, contra apenas 2% de Raquel. A pesquisa mostra, portanto, uma relação bastante direta entre a avaliação administrativa e a escolha eleitoral.
Mesmo com uma aprovação elevada, entretanto, Raquel não transforma automaticamente esse percentual em intenção de voto equivalente. Esse é um dos pontos mais interessantes da fotografia atual. A governadora tem uma aprovação de 68% no Múltipla, mas aparece com 44% na intenção estimulada. Isso significa que existe uma parcela de eleitores que aprova a administração, mas ainda não necessariamente está convertida em voto para a candidata.
No segundo turno, as diferenças entre os institutos também chamam atenção. O Real Time aponta empate de 44% entre Raquel e João. O Múltipla apresenta Raquel com 49% e João com 41%. Como os levantamentos possuem margens de erro diferentes, os números precisam ser analisados dentro de seus respectivos intervalos estatísticos, e não simplesmente colocados lado a lado como se fossem medições idênticas.
O fato concreto é que João Campos conseguiu aparecer numericamente à frente em um dos levantamentos mais recentes, enquanto Raquel continua liderando em outro. Isso torna a reta final ainda mais sensível aos próximos debates, à propaganda eleitoral, às agendas de rua e à capacidade de cada campanha de manter seus eleitores e conquistar os que ainda estão indecisos.
E existe outro detalhe importante: as pesquisas do Real Time e do Múltipla foram realizadas praticamente no mesmo período, entre os dias 10 e 14 de setembro. Portanto, os resultados representam um retrato bastante recente do eleitorado pernambucano. O debate realizado em Caruaru na semana passada já estava dentro do período de coleta das entrevistas, mas os efeitos das próximas agendas e confrontos ainda não aparecem integralmente nessas pesquisas.
A corrida pelo Senado também chama atenção. Marília Arraes permanece entre os nomes mais competitivos nos dois levantamentos. No Real Time Big Data, aparece com 27%, enquanto Mendonça Filho registra 21% e Humberto Costa 20%. Eduardo da Fonte tem 13% e Túlio Gadêlha, 11%. No Múltipla, Marília aparece com 18%, Humberto com 15%, Mendonça Filho com 8%, Eduardo da Fonte com 7% e Túlio com 4%. A disputa pelas duas cadeiras, porém, ainda apresenta um volume expressivo de eleitores sem posição definida.
No Múltipla, somando indecisos e votos brancos ou nulos na média das duas opções para o Senado, chega-se a um contingente de 45%. É um número que demonstra que a corrida pelas duas vagas ainda possui espaço considerável para mudanças até o dia da votação.
No Governo, entretanto, o cenário é diferente. Raquel chega a esta fase da campanha sustentada por uma aprovação elevada da administração e por uma vantagem que apareceu em levantamentos importantes nas últimas semanas. João, por outro lado, mostra uma base eleitoral resistente, principalmente no Recife e na Região Metropolitana, e agora aparece numericamente à frente no Real Time.
É por isso que os próximos dias ganharam importância extraordinária. A campanha entrou naquela etapa em que cada debate, cada pesquisa e cada movimentação dos candidatos pode alterar o ambiente eleitoral. O próximo confronto entre os principais candidatos será acompanhado justamente depois da divulgação dessas duas novas pesquisas e poderá oferecer uma nova oportunidade para os candidatos reforçarem suas posições ou buscarem modificar a percepção do eleitor.
Pernambuco chega, portanto, a uma reta final com duas realidades convivendo ao mesmo tempo. Raquel Lyra continua apresentando vantagem em pesquisas recentes e possui uma avaliação positiva de seu governo, enquanto João Campos mantém um eleitorado consolidado e reduziu a distância em alguns levantamentos, chegando a aparecer numericamente na frente no Real Time.
A eleição ainda não está desenhada por uma única pesquisa. O que os números mais recentes mostram é uma disputa que ficou mais apertada e que será acompanhada de perto nas próximas rodadas. A pergunta que passa a dominar os bastidores não é apenas quem está na frente hoje, mas qual dos dois conseguirá transformar sua posição atual em voto consolidado quando chegar a hora da urna.
A reta final começou a mostrar sua verdadeira temperatura. E, em Pernambuco, a eleição está cada vez mais sendo decidida nos detalhes.
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