Da REDAÇÃO
Blog do Edney
A nova pesquisa Quaest/TV Globo divulgada nesta terça-feira (8) traz uma constatação importante para a corrida pelo Governo de Pernambuco: apesar do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão e de toda a temperatura política das últimas semanas, o eleitorado pernambucano ainda não parece ter mudado de direção de forma significativa.
A governadora Raquel Lyra (PSD) aparece novamente com 43% das intenções de voto, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) registra 37%. Os números praticamente repetem o cenário apresentado pela Quaest no fim de julho, quando Raquel também tinha 43% e João aparecia com 37%.
A fotografia atual ganha ainda mais peso porque estamos falando de uma eleição que já entrou em sua reta decisiva. A propaganda eleitoral já está no ar, os candidatos começaram a ocupar diariamente o rádio e a televisão e faltam menos de quatro semanas para o primeiro turno. Mesmo assim, a disputa continua apresentando uma diferença de seis pontos entre os dois principais nomes.
Na pesquisa divulgada em 25 de agosto, Raquel chegou a 44%, enquanto João Campos apareceu com 36%. Agora, houve uma pequena acomodação dos números, mas sem qualquer alteração relevante na posição dos candidatos. Na prática, a pesquisa mostra uma disputa que permanece aberta, porém relativamente estável.
E é justamente essa estabilidade que chama atenção.
Nas últimas semanas, a eleição pernambucana foi marcada por forte disputa política, troca de acusações, embates jurídicos e uma intensa batalha pela narrativa eleitoral. A discussão em torno do chamado “gabinete do ódio”, por exemplo, ganhou espaço no debate político e nas redes sociais. A expectativa de alguns setores era de que toda essa movimentação pudesse produzir algum efeito direto nas pesquisas.
Até aqui, não produziu.
A propaganda eleitoral também ainda não conseguiu provocar uma virada perceptível no quadro. Isso não significa que o rádio e a televisão perderam importância, mas indica que o eleitor, pelo menos neste momento, não está alterando suas preferências na velocidade que alguns imaginavam.
A avaliação divulgada junto à pesquisa reforça essa leitura. Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, o cenário pode ser considerado de estabilidade. E estabilidade, em uma eleição a menos de um mês do primeiro turno, também é uma informação política relevante.
Raquel mantém a liderança e João Campos continua próximo o suficiente para sustentar uma disputa competitiva. O intervalo de seis pontos não permite tratar a eleição como resolvida, muito menos como uma corrida de chegada previsível. Ao mesmo tempo, também não apareceu, até agora, nenhum movimento capaz de indicar uma mudança brusca de cenário.
Agora, um elemento passa a ganhar importância cada vez maior: os debates.
Com pouco tempo de campanha pela frente, os confrontos diretos entre os candidatos podem assumir um papel diferente daquele desempenhado pela propaganda tradicional. É nesse espaço que os concorrentes precisam responder perguntas, enfrentar adversários e apresentar propostas sem o mesmo controle proporcionado pelo horário eleitoral.
Um debate está previsto para esta sexta-feira (11), na TV Nova, mas o encontro ainda envolve uma controvérsia. A emissora não incluiu inicialmente o candidato Ivan Moraes (PSOL), embora a legenda tenha representação no Congresso Nacional, condição que garante participação nos debates eleitorais conforme as regras da legislação.
Na reta final, também estão previstos debates na TV Globo Nordeste e na TV Jornal. E esses encontros podem ter um peso maior justamente porque a margem entre os dois principais candidatos permanece relativamente estreita.
A pesquisa Quaest, portanto, não entrega apenas números. Ela apresenta um recado para as campanhas: até agora, nenhuma das estratégias adotadas nas últimas semanas foi capaz de romper o equilíbrio relativo da disputa.
Raquel segue à frente, João permanece competitivo e o eleitorado, ao menos segundo a fotografia desta rodada, continua praticamente no mesmo lugar.
A partir de agora, cada aparição pública, cada debate, cada programa eleitoral e cada erro cometido poderá custar caro. A campanha entrou naquele momento em que seis pontos podem parecer uma vantagem confortável para quem lidera, mas também podem desaparecer rapidamente quando a eleição chega à fase decisiva.
Em Pernambuco, a corrida continua aberta. E a Quaest mostra que, até aqui, o eleitor ainda não comprou nenhuma grande virada de narrativa..
Nenhum comentário:
Postar um comentário