A reta final da eleição em Pernambuco ganhou mais um capítulo de forte repercussão. A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), decidiu colocar o presidente nacional do PSB e seu adversário na disputa pelo Governo de Pernambuco, João Campos, diante de uma questão envolvendo a candidatura de Fábio Tyrone, ex-prefeito de Sousa, na Paraíba.
Tyrone, que disputa uma vaga de deputado federal pelo PSB paraibano, foi condenado pela Justiça em processo relacionado a agressões contra a ex-companheira, Myriam Gadelha, em episódio ocorrido em 2018. O caso voltou ao centro do debate político depois que veio à tona o volume de recursos destinados à campanha do candidato pelo partido.
Nas redes sociais, Raquel prestou solidariedade a Myriam e questionou a postura da direção nacional do PSB. A governadora destacou que pedidos de expulsão de Tyrone já haviam sido apresentados por mulheres ligadas à própria legenda e lembrou que João Campos, atualmente presidente nacional do partido, esteve em agenda com o candidato em fevereiro deste ano.
Outro ponto levantado pela governadora foi o financiamento eleitoral. Segundo dados divulgados pela imprensa, a campanha de Tyrone recebeu aproximadamente R$ 1,5 milhão em recursos do fundo eleitoral, fazendo dele o candidato do PSB na Paraíba que mais recebeu recursos da legenda neste ciclo.
A situação, porém, ganhou um contraponto importante. Em nota divulgada pelo PSB, João Campos afirmou que não era presidente nacional da legenda quando ocorreu o caso e que, após uma representação apresentada pela deputada Tabata Amaral em abril deste ano, o processo de apuração foi reaberto.
Segundo o partido, João Campos solicitou informações atualizadas à Secretaria Nacional de Mulheres e, em 23 de setembro, determinou que o caso fosse encaminhado diretamente ao Conselho Nacional de Ética do PSB. A justificativa apresentada é que o procedimento seja concluído o quanto antes, inclusive com a possibilidade de expulsão de Tyrone.
O caso ganhou dimensão política em Pernambuco justamente porque João Campos acumula duas posições que passaram a ser colocadas no centro da discussão: é candidato ao Governo do Estado e, ao mesmo tempo, presidente nacional do PSB.
É aí que Raquel Lyra faz sua cobrança. A governadora questiona a permanência de Tyrone na legenda, sua condição de candidato e o fato de ter recebido recursos eleitorais, enquanto João Campos afirma agora ter determinado a tramitação do processo de expulsão.
Do outro lado, o PSB sustenta que a distribuição dos recursos eleitorais para os candidatos paraibanos ficou sob responsabilidade do diretório estadual. A legenda também afirma que João Campos já tomou providências para acelerar a análise do processo disciplinar.
O episódio chega à campanha pernambucana em um momento particularmente sensível, quando a disputa entre Raquel Lyra e João Campos entrou definitivamente na reta final. A questão agora ultrapassa a Paraíba e passa a ser explorada politicamente em Pernambuco por envolver diretamente o presidente nacional do PSB.
No campo político, Raquel aproveitou a repercussão para transformar o episódio em uma cobrança direta ao adversário. João Campos, por sua vez, tenta mostrar que adotou providências dentro da estrutura partidária para que o caso seja analisado pelo Conselho Nacional de Ética.
A pergunta colocada na mesa pela governadora é simples e politicamente incômoda: por que um candidato condenado por violência doméstica permaneceu no partido e disputou a eleição enquanto o processo de expulsão seguia sem conclusão?
A resposta do PSB é que o procedimento foi retomado e que João Campos determinou sua análise diretamente pelo Conselho Nacional de Ética. Agora, a decisão está nas mãos da instância partidária responsável pelo processo.
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