quinta-feira, 3 de setembro de 2026

VEREADORES E EX-SECRETÁRIO DE IPOJUCA SÃO ALVOS DA TERCEIRA FASE DA OPERAÇÃO MUDART

A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (3), a terceira fase da Operação Mudart, investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. A ação atingiu diretamente o ambiente político do município e teve como alvos três vereadores, um ex-secretário municipal, uma contadora e outras pessoas investigadas.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão na Câmara Municipal de Ipojuca e em endereços ligados aos investigados. Segundo o delegado Ney Luiz, responsável pela investigação, o suposto esquema teria movimentado aproximadamente R$ 16 milhões por meio de recursos públicos destinados à Associação Mudart.

A operação também resultou no afastamento de um vereador de suas funções. Segundo o delegado, a Polícia Civil chegou a solicitar prisões durante esta nova etapa da investigação, mas a decisão judicial autorizou apenas o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

Investigação mira emendas parlamentares

As apurações começaram ainda em 2025, depois de denúncias de que recursos públicos seriam desviados por meio de emendas parlamentares destinadas à Associação Mudart.

A entidade era presidida por Simone Marques, que acabou sendo assassinada após comparecer à delegacia para prestar esclarecimentos relacionados à investigação.

Nas fases anteriores da operação, dois integrantes da Mesa Diretora da Câmara de Ipojuca foram presos: o então presidente da Casa, Flávio do Cartório (PSD), e o então vice-presidente, Professor Eduardo (PSD).

Agora, a Polícia Civil amplia o cerco e busca identificar a participação individual de cada um dos novos alvos.

Polícia aponta divisão de tarefas

De acordo com o delegado Ney Luiz, as investigações indicam a existência de uma estrutura organizada, com diferentes pessoas desempenhando funções específicas dentro do suposto esquema.

Segundo ele, parte dos serviços investigados teria realmente sido executada, mas com indícios de superfaturamento e utilização de notas fiscais falsas.

A contadora investigada teria papel na emissão dessas notas, enquanto outros envolvidos atuariam na articulação política e administrativa.

“A investigação revelou que alguns serviços foram de fato prestados, mas havia um superfaturamento com emissão de notas fiscais falsas”, afirmou o delegado.

Ney Luiz também apontou a existência de diferentes núcleos dentro da organização investigada. Um deles seria político, envolvendo vereadores e um ex-secretário municipal. Outro seria jurídico-administrativo, com participação de advogados que elaborariam projetos e buscariam dar respaldo legal às operações. Já o núcleo financeiro estaria ligado à movimentação dos recursos.

R$ 16 milhões na mira da Polícia Civil

Segundo a Polícia Civil, teria existido um acordo prévio entre vereadores de Ipojuca e um ex-secretário municipal para definir a destinação de valores provenientes de emendas parlamentares para a Associação Mudart.

A investigação agora pretende esclarecer quem participou, quanto recebeu, quais serviços foram efetivamente prestados e de que forma os recursos públicos teriam sido movimentados.

Durante a operação desta quinta-feira, os policiais apreenderam computadores, telefones celulares, documentos e outros materiais que serão submetidos à análise.

“Essa investigação continua a fim de individualizar bem a conduta de cada um deles e indiciá-los”, afirmou Ney Luiz.

O cerco aperta

A terceira fase da Operação Mudart coloca novamente a Câmara de Ipojuca no centro de uma investigação de grande repercussão. O volume de recursos sob suspeita e a quantidade de agentes públicos e particulares alcançados pela apuração mostram que a Polícia Civil ainda considera o caso longe de estar encerrado.

Por enquanto, os alvos desta nova fase são investigados e não foram condenados pela Justiça. O material apreendido deverá ser analisado pelos investigadores para definir a eventual responsabilidade de cada envolvido.

A expectativa agora é de que os documentos e equipamentos recolhidos nesta quinta-feira possam revelar novas conexões e esclarecer o caminho percorrido pelos recursos que estão no centro da Operação Mudart.

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