A eleição para o Governo de Pernambuco chega aos últimos dias com uma disputa extremamente apertada. Nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (1º), mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) com 46% das intenções de voto, enquanto o candidato do PSB, João Campos, aparece com 44%.
Na sequência estão Ivan Moraes (PSOL), com 2%, e Renan Hallais (Missão), com 1%. Professora Camila (UP), Guilherme Fonseca (PSTU) e Victor Assis (PCO) não chegaram a 1%. Brancos, nulos ou nenhum dos candidatos somam 4%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
O levantamento foi realizado pelo Datafolha entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, com 1.204 eleitores de 16 anos ou mais, distribuídos em 48 municípios de Pernambuco. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e TV Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-06822/2026.
Na matemática dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Raquel Lyra aparece com 50%, contra 47% de João Campos. Como a margem de erro é de três pontos, o cenário permanece tecnicamente empatado.
E aqui está um dos pontos mais importantes desta rodada: faltam apenas três dias para a votação. Ou seja, a pesquisa não apresenta uma fotografia de uma disputa distante, mas de uma eleição que já entrou em sua fase decisiva.
A série recente do próprio Datafolha ajuda a entender como a disputa chegou até aqui. No levantamento divulgado em 24 de setembro, Raquel tinha 48%, contra 44% de João Campos. Agora, a governadora oscila dois pontos para baixo, enquanto João permanece nos mesmos 44%.
Isso significa que, dentro da margem de erro, não houve uma mudança estatisticamente conclusiva na liderança. O que existe é uma corrida concentrada nos dois principais candidatos, com uma diferença nominal de apenas dois pontos.
Outro dado que merece atenção está no voto espontâneo. Na rodada anterior do Datafolha, Raquel aparecia com 41%, contra 33% de João Campos, quando os entrevistados eram convidados a declarar espontaneamente em quem pretendiam votar, sem receber a lista de candidatos. O instituto apontou ainda que 64% dos entrevistados conseguiam informar corretamente o número do candidato escolhido para governador.
No segundo turno, o Datafolha também testou um confronto direto entre Raquel Lyra e João Campos. Nesse cenário, a governadora aparece com 50%, enquanto João Campos registra 46%. Brancos e nulos somam 3% e 1% não soube responder.
O levantamento precisa ser lido com cautela. Uma diferença de dois pontos no primeiro turno está dentro da margem de erro e, portanto, não permite afirmar estatisticamente que exista uma vantagem consolidada de um candidato sobre o outro.
Mas há uma coisa que os números deixam evidente: a eleição pernambucana chegou ao último fim de semana sem uma fotografia de folga para nenhum dos dois principais candidatos.
Raquel entra nessa reta final com 46% no cenário estimulado e 50% dos votos válidos. João aparece com 44% e 47%, respectivamente. A distância nominal é pequena e qualquer oscilação dentro da margem de erro pode alterar a leitura da fotografia.
Também chama atenção o contraste entre a avaliação do governo e a intenção de voto. Em pesquisa Datafolha realizada no final de julho, 66% dos pernambucanos aprovavam o trabalho de Raquel Lyra, enquanto 30% desaprovavam. Naquele levantamento, 49% classificavam a administração como ótima ou boa.
Esse dado não pode ser automaticamente transformado em intenção de voto, porque aprovação de governo e voto são perguntas diferentes. Mas ajuda a contextualizar uma disputa em que a governadora chega ao final do mandato buscando converter avaliação administrativa em apoio eleitoral.
Do outro lado, João Campos chega à reta final sustentando uma campanha baseada também na associação com o presidente Lula e no legado político de seu pai, o ex-governador Eduardo Campos. O próprio Datafolha registra que Lula possui forte vantagem em Pernambuco na disputa presidencial, enquanto João concentra entre seus eleitores uma parcela expressiva dos que aprovam o governo federal.
É justamente aí que a eleição pernambucana ganha uma característica própria: a disputa estadual não está reproduzindo automaticamente a disputa presidencial.
O eleitor pernambucano pode aprovar Lula e escolher um candidato ao governo diferente daquele apoiado pelo presidente. Da mesma forma, pode avaliar positivamente a gestão estadual e ainda assim votar em João Campos. As pesquisas mostram que essas combinações existem e ajudam a explicar por que a corrida permanece tão apertada.
Outro levantamento recente, o RealTime Big Data divulgado em 28 de setembro, também encontrou um cenário de empate técnico: João Campos tinha 45% e Raquel Lyra, 43%, com margem de erro de dois pontos. No segundo turno, João aparecia com 46% e Raquel com 45%.
O conjunto das pesquisas recentes, portanto, apresenta uma característica comum: nenhum dos dois candidatos conseguiu transformar a vantagem numérica em uma diferença que ultrapasse de forma consistente as respectivas margens de erro.
O Datafolha desta quinta-feira reforça essa fotografia.
Raquel aparece numericamente à frente no primeiro turno e também nos votos válidos. João está suficientemente próximo para que a diferença permaneça dentro da margem de erro. E, no segundo turno testado pelo instituto, a distância também permanece limitada.
A grande incógnita agora não está mais nos grandes movimentos de campanha, mas na capacidade de cada candidatura de mobilizar seus eleitores, reduzir a abstenção entre seus segmentos de apoio e conquistar os votos que ainda não estão totalmente cristalizados.
PERNAMBUCO CHEGA ÀS URNAS COM UMA ELEIÇÃO ABERTA NA FOTOGRAFIA DAS PESQUISAS.
Raquel Lyra tem 46%. João Campos, 44%. Nos votos válidos, 50% contra 47%. No segundo turno simulado, 50% contra 46%.Os números mostram uma disputa apertada e deixam para os próximos três dias a tarefa de definir o comportamento de um eleitorado que, segundo os próprios levantamentos, ainda apresenta movimentos importantes na reta final.
Agora não é mais uma questão de quem tem dois ou quatro pontos de vantagem na pesquisa. É a urna que vai transformar intenção em voto contado.
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