terça-feira, 13 de outubro de 2026

FLÁVIO BOLSONARO MUDA DE DISCURSO SOBRE O FIM DA ESCALA 6×1 A 12 DIAS DA ELEIÇÃO

Senador, que já chamou a proposta de “oportunista”, agora diz que votará a favor. Mudança de posição ocorre em plena reta final da disputa presidencial e levanta questionamentos sobre o peso eleitoral do tema.
O discurso mudou, e o calendário eleitoral chama atenção. O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1, depois de ter criticado a proposta dias atrás. A reviravolta acontece a apenas 12 dias do segundo turno, justamente quando o debate sobre os direitos dos trabalhadores ganha espaço na disputa política.

Após visitar o pai, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, Flávio afirmou que ouviu a população durante suas viagens pelo país e que a maioria dos trabalhadores deseja o fim da escala. Segundo ele, essa percepção foi determinante para a nova posição.

A declaração, porém, contrasta com o discurso adotado na semana passada. Na ocasião, o senador classificou a iniciativa como “oportunista” e acusou o presidente Lula de tentar transformar a proposta em instrumento eleitoral, alegando que o governo só teria colocado o assunto em evidência durante o segundo turno.

Agora, o próprio Flávio anuncia que votará a favor.

A pergunta que fica é inevitável: o que mudou em tão poucos dias? A proposta ganhou novos argumentos ou o candidato percebeu que defender uma posição contrária ao fim da escala 6×1 poderia ter um custo político diante dos trabalhadores?

Flávio tenta justificar a mudança dizendo que defende algo “ainda melhor”. Ele argumenta que os trabalhadores deveriam ter mais liberdade para organizar suas jornadas, respeitando as particularidades de cada atividade profissional. Também levantou a discussão sobre a necessidade de compensações para os empresários, afirmando que o setor enfrenta dificuldades financeiras.

O debate sobre os impactos econômicos da mudança é legítimo e merece ser enfrentado com seriedade. O problema político está na sequência dos acontecimentos: primeiro, a proposta é chamada de oportunista; poucos dias depois, o candidato declara apoio ao seu conteúdo.

Na política, mudar de opinião não é necessariamente um erro. Ouvir a população e rever posições faz parte do processo democrático. Mas, quando a mudança acontece às vésperas de uma votação importante e no meio de uma disputa presidencial acirrada, é natural que surjam questionamentos sobre as razões e o momento da decisão.

O fim da escala 6×1 envolve milhões de trabalhadores e não deveria depender apenas da conveniência de uma campanha. A discussão exige clareza sobre jornada, remuneração, produtividade e os efeitos para empregados e empregadores.

A proposta deve avançar para votação no Senado entre quarta-feira (14) e quinta-feira (15), conforme as informações divulgadas. Com a nova declaração, Flávio passa a defender o voto favorável, embora mantenha ressalvas sobre o formato da mudança.

No fim das contas, o eleitor tem motivos para cobrar coerência. Se a proposta era oportunista quando associada a Lula, por que passou a merecer apoio agora? A resposta cabe ao candidato. O calendário, por enquanto, está aí: a eleição se aproxima, o discurso mudou e o trabalhador continua esperando que a promessa saia do palanque e chegue à sua realidade.

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