Senador havia chamado proposta de eleitoreira, questionado os impactos sobre o emprego e defendido um modelo alternativo. Agora, recua a dez dias do segundo turno.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, votou a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A decisão, anunciada na terça-feira (13) e confirmada em votação remota na quarta-feira (14), representa uma mudança de postura após meses de críticas à iniciativa e ocorre em plena reta final da disputa presidencial.
A proposta prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial. O tema ganhou protagonismo na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passou a cobrar publicamente um posicionamento do adversário sobre os direitos dos trabalhadores.
A mudança de Flávio veio depois de uma sequência de declarações contrárias à forma como a proposta estava sendo conduzida. Em maio, o senador classificou a iniciativa como uma medida com “grande carga de hipocrisia e interesse nas eleições”. Em agosto, passou a defender maior liberdade para o trabalhador escolher sua jornada e, no início de outubro, acusou Lula de oportunismo por acelerar a discussão durante o segundo turno.
Na terça-feira, porém, Flávio reconheceu a preferência popular pelo fim da escala 6x1 e anunciou que votaria favoravelmente à proposta, embora tenha mantido críticas ao modelo aprovado.
PRESSÃO ELEITORAL E RESSALVAS
A mudança de posição ocorre a poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O tema se tornou um dos pontos de confronto entre Lula e Flávio, enquanto setores da oposição defendiam o adiamento da votação para depois das eleições.
Mesmo com o voto favorável, o senador voltou a alertar para possíveis impactos sobre os custos das empresas, as contratações e a informalidade. Também defendeu que o governo ofereça compensações financeiras aos empregadores para facilitar a adaptação às novas regras.
Flávio ainda mantém apoio a uma proposta alternativa articulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, que prevê maior flexibilidade na jornada de trabalho e remuneração vinculada às horas efetivamente trabalhadas.
LULA EXPLORA MUDANÇA DE POSIÇÃO
O recuo do candidato do PL foi explorado politicamente por Lula, que atribuiu a decisão à pressão popular. Para o campo petista, o voto favorável abre espaço para confrontar as declarações anteriores de Flávio e cobrar coerência em relação aos direitos trabalhistas.
Nos bastidores, aliados do senador discutem a possibilidade de retomar a proposta alternativa a partir de 2027, caso ele vença a eleição. A intenção seria reabrir o debate sobre as regras da jornada de trabalho, especialmente diante de eventuais impactos econômicos.
A mudança deixa uma questão no centro da disputa: Flávio passou a apoiar integralmente o fim da escala 6x1 ou votou a favor sob pressão eleitoral, mantendo a intenção de alterar o modelo posteriormente? Com a eleição se aproximando, o tema deve continuar no centro do embate entre os dois candidatos.
Com informações do blog de Magno Martins e do jornal O Globo.
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