Senador foi para os Estados Unidos depois de afirmar que permaneceria no país para liderar a oposição. Na véspera, quatro veículos deixaram sua residência e despistaram equipes de reportagem.
A derrota nas urnas foi seguida por uma reviravolta que colocou Flávio Bolsonaro (PL) no centro de uma crise política. Depois de afirmar que não deixaria o Brasil e que entregaria seus passaportes à Polícia Federal, o senador seguiu para os Estados Unidos, conforme informações confirmadas por um aliado e por fontes do governo norte-americano à Reuters. A viagem ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial.
Na noite da última segunda-feira (26), quatro carros pretos ligados ao parlamentar deixaram sua residência no Residencial Ouro Branco, no Lago Sul, em Brasília, por volta das 19h40. A movimentação foi acompanhada por equipes de reportagem, que tentaram seguir o comboio.
Em um dos veículos, os jornalistas identificaram Fernanda Bolsonaro, esposa do senador. No primeiro carro, que liderava o grupo, não havia ninguém no banco traseiro. Na altura da Ponte JK, os automóveis se dividiram e seguiram por caminhos diferentes, dificultando o acompanhamento da imprensa.
Naquela noite, não foi possível confirmar se Flávio estava em algum dos carros. No dia seguinte, porém, a informação de que ele havia deixado o país ganhou força e foi confirmada por fontes ouvidas pela imprensa internacional.
PROMETEU FICAR, MAS FOI PARA OS EUA
A viagem chamou atenção porque, na segunda-feira, Flávio havia declarado publicamente que não pretendia deixar o Brasil. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que entregaria os passaportes e que se prepararia para liderar a oposição ao governo Lula.
Na terça-feira (27), a Reuters informou que um aliado próximo do senador confirmou sua ida aos Estados Unidos. Uma fonte do governo norte-americano também confirmou a viagem, enquanto outra pessoa próxima à família afirmou que ele havia chegado à Flórida.
A mudança de planos ocorreu em meio à pressão judicial e à derrota eleitoral. A saída do país passou a ser questionada porque o senador tinha recebido uma determinação para entregar seus documentos de viagem.
PASSAPORTES CANCELADOS E INVESTIGAÇÃO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal dentro do prazo estabelecido. Como os documentos não foram entregues, a corporação cancelou o passaporte comum e o diplomático, segundo informações divulgadas pela Reuters e pela CNN Brasil.
A decisão foi relacionada a uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O advogado Willer Tomaz também é investigado no caso. Ambos negam irregularidades.
A ida aos Estados Unidos, portanto, ocorreu em um momento de questionamentos sobre o cumprimento da determinação judicial. A viagem foi confirmada por fontes, mas os detalhes completos da rota e das circunstâncias da saída do Brasil não foram esclarecidos publicamente pelas autoridades brasileiras.
TRUMP ABRE AS PORTAS PARA A FAMÍLIA
O governo de Donald Trump informou que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos, segundo um alto funcionário do Departamento de Estado ouvido pela CNN Brasil. A medida não significa, por si só, que tenha sido concedido asilo político ao senador.
A possibilidade de um pedido de asilo chegou a ser mencionada em reportagens, mas não havia confirmação oficial de que o procedimento tivesse sido formalizado.
A saída de Flávio também provocou repercussão entre aliados do próprio PL. Integrantes da campanha esperavam que o senador permanecesse no Brasil para organizar a oposição, e alguns disseram ter sido surpreendidos pela notícia de sua viagem.
No fim das contas, o episódio reuniu três acontecimentos que passaram a marcar o pós-eleição: a derrota para Lula, o descumprimento do prazo para entrega dos passaportes e a ida para os Estados Unidos.
Flávio deixou o país depois de declarar que ficaria. O comboio da noite anterior alimentou as dúvidas sobre a movimentação em Brasília, e a confirmação da viagem transformou o caso em mais um foco de tensão entre o senador, as instituições brasileiras e o governo norte-americano.
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