Senador teria entrado no país vizinho usando documento de identidade e planejado embarcar em jato particular. Governo argentino nega registro de entrada, enquanto Polícia Federal investiga o caso.
A política brasileira acaba de ganhar mais um capítulo daqueles que levantam perguntas e exigem respostas. Depois de perder a disputa presidencial para Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) virou alvo de uma apuração da Polícia Federal para esclarecer se deixou o Brasil em direção à Argentina e se pretendia seguir para os Estados Unidos. A suspeita surgiu após uma publicação do portal argentino Infobae, mas a história ainda está longe de ter todos os pontos esclarecidos.
Segundo o relato divulgado pelo veículo argentino, Flávio teria chegado à região de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná, e utilizado a carteira de identidade para ingressar em território argentino. A informação alimentou a versão de que o senador teria cruzado a fronteira sem utilizar um passaporte. Não há, porém, confirmação independente de que ele tenha feito o trajeto a pé, como sugerem algumas versões que circulam sobre o episódio.
O roteiro noticiado previa uma segunda etapa: um voo particular com destino aos Estados Unidos. A aeronave citada é um Gulfstream G400, ligado à empresa argentina Baires Fly. A reportagem informou que haviam sido iniciados procedimentos de imigração e alfândega para quatro passageiros e três tripulantes, mas as identidades dos passageiros não foram confirmadas publicamente.
O problema é que a versão da suposta viagem encontrou resistência justamente do outro lado da fronteira. A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou não haver registro da entrada de Flávio Bolsonaro no país. O porta-voz do presidente Javier Milei também negou que o senador tenha ingressado em território argentino.
No Brasil, a Polícia Federal passou a verificar registros migratórios e informações sobre voos entre os dois países. O caso ganhou ainda mais repercussão porque, na segunda-feira (26), Flávio afirmou ter sido intimado a entregar seus passaportes e informado de que estava proibido de deixar o país por determinação atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O senador declarou publicamente que cumpriria a ordem judicial e negou que pretendesse fugir do Brasil. Rogério Marinho, coordenador de sua campanha presidencial, também contestou a notícia de que Flávio teria deixado o território nacional.
A história reúne, portanto, versões conflitantes: de um lado, uma publicação argentina e relatos atribuídos a aliados que apontam uma possível saída; de outro, a negativa oficial do governo argentino e a contestação de integrantes do grupo político do senador. Até o momento, não há confirmação independente de que Flávio tenha entrado na Argentina ou embarcado para os Estados Unidos.
E é justamente aí que está o ponto central. Se houve uma tentativa de deixar o Brasil depois de uma ordem judicial proibindo a viagem, as circunstâncias precisam ser esclarecidas pelas autoridades. Se a informação estiver errada, também é necessário esclarecer de onde surgiu a versão e por que ela ganhou tamanha repercussão.
Na política, derrota eleitoral não elimina direitos, mas também não coloca ninguém acima das decisões judiciais. O que não pode acontecer é uma suspeita ser tratada como fato consumado antes da apuração, nem uma questão dessa dimensão ficar sem respostas.
Por enquanto, a pergunta permanece no ar: Flávio Bolsonaro realmente cruzou a fronteira para tentar chegar aos Estados Unidos ou a história foi construída sobre informações que ainda não se confirmaram? A investigação deverá ajudar a separar os fatos dos rumores.
Com informações de SBT News, CartaCapital e Bloomberg Línea.
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