Com 67.479 votos em 162 municípios, deputado eleito transforma uma candidatura que nasceu no Agreste Setentrional em um projeto político que alcançou Agreste Meridional, Sertão, Mata Sul e Região Metropolitana
A eleição de Janjão (PSD) para a Assembleia Legislativa de Pernambuco deixou uma mensagem que vai muito além dos números de Bom Jardim, seu principal reduto político.
O 55222 saiu do ninho.
E saiu forte.
Janjão foi eleito deputado estadual com 67.479 votos, alcançando a 16ª maior votação entre os 49 deputados eleitos em Pernambuco. Mais importante do que a posição no ranking, entretanto, é a distribuição dessa votação: o ex-prefeito de Bom Jardim recebeu votos em 162 municípios pernambucanos.
Isso muda a leitura política sobre sua eleição.
Não se trata mais apenas de uma liderança do Agreste Setentrional que conseguiu chegar à Alepe.
É um político que conseguiu plantar sementes em diferentes regiões de Pernambuco e, no dia 4 de outubro, viu parte dessas sementes aparecer nas urnas.
A FORÇA DO NINHO, MAS UMA VOTAÇÃO QUE NÃO FICOU PRESA AO NINHO
Bom Jardim continua sendo o coração eleitoral de Janjão.
Foi lá que ele recebeu 12.754 votos, correspondentes a 56,47% dos votos válidos do município. Mas o resultado estadual mostra que a história não terminou nas fronteiras de sua cidade.
Surubim entregou 5.360 votos. João Alfredo, 4.162. Orobó, 4.041. Limoeiro, 3.519. Frei Miguelinho, 2.844. Ribeirão, 2.768. Vertente do Lério, 2.352. Passira, 1.700.
Só esses resultados já mostram a dimensão alcançada pela candidatura.
Mas há um detalhe ainda mais importante.
Janjão também foi buscar votos longe de sua casa política.
E encontrou.
QUEM SAI DE CASA PARA PEDIR VOTO PRECISA ESTAR DISPOSTO A VOLTAR PARA AGRADECER
Durante a campanha, Janjão percorreu municípios que não faziam parte do seu núcleo tradicional de poder.No Agreste Meridional, o projeto passou por cidades como Garanhuns, Bom Conselho, Caetés, Paranatama, Palmeirina, Correntes, São João, Capoeiras, Jupi, Jucati, Terezinha, Angelim, Lajedo, São Bento do Una, Jurema, Quipapá, Panelas, Pesqueira, Alagoinha, Tacaimbó, Sanharó e Venturosa. A estratégia também alcançou Caruaru e Arcoverde.
Não foi apenas uma relação de cidades colocadas em material de campanha.
Houve estrada.
Houve reunião.
Houve conversa.
Houve feira.
Houve rádio.
Houve encontro com prefeito, ex-prefeito, vereador, suplente, liderança comunitária e eleitor.
Em Arcoverde, por exemplo, Janjão cumpriu agenda no comércio, feira, pontos tradicionais da cidade e concedeu entrevista com alcance para municípios vizinhos como Pedra, Buíque e Tupanatinga.
E foi justamente dessa maneira que o candidato começou a fazer aquilo que uma eleição estadual exige: sair do próprio território e construir presença em outros territórios.
ARCOVERDE, PEDRA, BUÍQUE, TACAIMBÓ, SANHARÓ, PESQUEIRA E ALAGOINHA ENTRAM NESSA CONTA
A presença no Agreste Meridional e no eixo que chega ao Sertão do Moxotó é particularmente simbólica.
Arcoverde representa uma porta de entrada para uma região diferente daquela onde Janjão construiu sua carreira.
Pedra e Buíque ampliam esse corredor.
Pesqueira, Alagoinha, Sanharó e Tacaimbó colocam a candidatura em outro ambiente político.
E esse movimento não aconteceu por acaso.
Antes mesmo da eleição, Janjão vinha construindo articulações nessas áreas. O Blog do Edney já havia mostrado, durante a campanha, que o candidato estava tentando transformar sua candidatura em um projeto de presença estadual, com articulações no Agreste, Sertão, Mata Sul, Mata Norte e Região Metropolitana.
Agora as urnas responderam.
A SEMENTE PLANTADA NO AGRESTE MERIDIONAL
É aí que entra uma das principais leituras dessa eleição.
Janjão não tinha em todas essas cidades o mesmo poder político que possuía em Bom Jardim.
Não tinha o mesmo grupo.
Não tinha a mesma estrutura.
Não tinha a mesma disponibilidade de tempo.
Não tinha a mesma história.
Mesmo assim, conseguiu votos.
E voto em eleição proporcional tem uma característica especial: é uma escolha individual que pode nascer da identificação, da confiança, da indicação de uma liderança ou simplesmente da mensagem que o candidato conseguiu transmitir durante a campanha.
Quando milhares de pessoas, longe do principal reduto de um candidato, escolhem o número dele, alguma conexão foi estabelecida.
É justamente isso que transforma uma votação espalhada pelo Estado em patrimônio político.
E NÃO FOI SÓ NO INTERIOR
O mapa eleitoral de Janjão revela outro dado que merece ser observado com lupa.
Ele não ficou restrito ao interior.
Recife deu 1.643 votos ao 55222.
Camaragibe entregou 1.638.
Jaboatão dos Guararapes, 1.509.
Olinda, 850.
Paulista, 813.
Caruaru, 1.279.
São números que podem parecer pequenos diante dos 12.754 votos de Bom Jardim, mas politicamente dizem muito.
Porque são votos conquistados em municípios gigantescos e extremamente disputados, onde Janjão não possuía o domínio eleitoral que tinha em seu reduto.
E há um detalhe que chama atenção: Janjão apareceu entre os candidatos mais votados em municípios de perfis completamente diferentes.
Do pequeno município onde foi majoritário à capital pernambucana.
Do Agreste Setentrional ao Agreste Meridional.
Da Mata Sul à Região Metropolitana.
Do Sertão do Moxotó à Zona da Mata.
Isso é o que começa a dar ao mandato uma característica estadual.
MATA SUL TAMBÉM ENTROU NO MAPA
A campanha também plantou sementes na Mata Sul.
Ribeirão foi um dos exemplos mais evidentes. Janjão chegou a inaugurar comitê no município ao lado do vice-prefeito Militão Filho e de vereadores, transformando a passagem pela cidade em uma base concreta para o projeto eleitoral.
A agenda também passou por Palmares, Escada e Cabo de Santo Agostinho, mostrando que a estratégia não estava concentrada em uma única região.
Ribeirão acabou confirmando essa aposta nas urnas com 2.768 votos para Janjão, o equivalente a 13,82% dos votos válidos do município. Foi a sétima cidade que mais entregou votos ao deputado eleito em todo Pernambuco.
Ou seja: a semente plantada na Mata Sul também germinou.
NA REGIÃO METROPOLITANA, O 55222 TAMBÉM APARECEU
Outro ponto que ajuda a dimensionar a eleição é a presença do candidato na Região Metropolitana.
Durante a campanha, Janjão chegou a cumprir agenda em Jaboatão dos Guararapes, inclusive na Feira de Prazeres, ampliando o contato com comerciantes, trabalhadores e moradores.
Nas urnas, Jaboatão entregou 1.509 votos.
Camaragibe deu 1.638.
Recife, 1.643.
Olinda, 850.
Paulista, 813.
Não é uma votação majoritária nesses grandes municípios, evidentemente. Mas não é esse o ponto.
O ponto é outro:
o 55222 chegou até lá.
O ELEITOR QUE SAIU DE CASA E DIGITOU 55222
Existe uma dimensão humana dessa eleição que os números frios não conseguem explicar.
Em Bom Jardim, Janjão era conhecido.
Em muitas outras cidades, não.
E mesmo assim houve gente que, no domingo, saiu de casa, foi até a seção eleitoral, enfrentou fila, entrou na cabine e digitou 5-5-2-2-2.
É esse eleitor que agora precisa entrar no radar do deputado eleito.
Porque o voto dado longe do ninho traz uma cobrança diferente.
Quem votou em Janjão em Bom Jardim pode esperar que ele continue representando sua terra.
Mas quem votou em Janjão em Arcoverde, Pedra, Buíque, Pesqueira, Alagoinha, Sanharó, Tacaimbó, Garanhuns, Lajedo, Ribeirão, Recife, Jaboatão, Camaragibe e em tantos outros municípios também está dizendo:
“Eu coloquei minha confiança em você.”
162 MUNICÍPIOS: O NÚMERO QUE MUDA O TAMANHO DO MANDATO
O dado oficial de 162 municípios com votos é provavelmente um dos maiores símbolos da eleição de Janjão.
Porque 67.479 votos podem ser analisados de várias maneiras.
Pode-se olhar para o ranking.
Pode-se olhar para a votação de Bom Jardim.
Pode-se olhar para os 5.360 votos de Surubim.
Mas quando se olha para o mapa inteiro, aparece outra fotografia.
Janjão não foi eleito apenas por uma região.
Foi eleito por uma combinação de forças municipais espalhadas pelo Estado.
Essa característica pode ser decisiva para o futuro político do deputado.
UM MANDATO COM POTENCIAL DE DIÁLOGO COM RAQUEL
E aqui aparece outra questão política importante.
Janjão e a governadora Raquel Lyra estão no PSD.
Isso não significa que o novo deputado tenha recebido um mandato pronto ou que exista qualquer garantia de espaço político.
Mas existe uma circunstância objetiva: Janjão chega à Assembleia Legislativa pelo mesmo partido da governadora e com uma votação espalhada pelo Estado.
Isso pode abrir uma janela para que ele se apresente como um interlocutor de diferentes regiões junto ao Governo de Pernambuco.
E não apenas como um deputado de Bom Jardim.
É uma diferença importante.
Um parlamentar com 67 mil votos concentrados em uma única cidade tem uma força.
Um parlamentar com 67 mil votos espalhados por 162 municípios possui outro tipo de argumento político.
E JANJÃO JÁ MOSTROU QUAL SERÁ A PRIMEIRA BANDEIRA
Na entrevista desta terça-feira (6), à Rádio Integração FM, em Surubim, Janjão sinalizou que pretende transformar a força eleitoral em articulação regional.
Falou em união das forças políticas eleitas e citou projetos como o Hospital do Câncer, um campus universitário, um centro para crianças autistas e a duplicação da PE-90 entre Limoeiro e Toritama.
“Terminada a campanha, é momento da gente se unir. Quem votou com a gente, o palanque desarma, e agora começa a construção”, afirmou.
Essa frase pode ser mais importante do que parece.
Porque o discurso já não é de candidato.
É de deputado eleito.
DO DEPUTADO DE BOM JARDIM AO DEPUTADO DE PERNAMBUCO
A própria evolução eleitoral ajuda a explicar o tamanho desse salto.
Janjão foi eleito prefeito de Bom Jardim em 2020 com 14.065 votos e voltou a vencer a eleição municipal em 2024 com 13.659 votos.
Em 2026, na primeira disputa estadual, saltou para 67.479 votos.
Não é simplesmente uma multiplicação de votos.
É uma mudança de território.
De escala.
De responsabilidade.
De projeto.
O homem que construiu sua carreira política em Bom Jardim agora terá quatro anos para provar que os votos conquistados em Pernambuco inteiro não foram apenas uma fotografia de campanha, mas o começo de uma nova fase.
A ELEIÇÃO ACABOU. AGORA COMEÇA A COBRANÇA
Janjão falou em sementes.
E talvez essa seja a melhor imagem para explicar sua eleição.
Ele passou meses plantando.
Plantou no Agreste Setentrional.
Plantou no Agreste Meridional.
Plantou no Sertão.
Plantou na Mata Sul.
Plantou na Região Metropolitana.
Plantou em cidades onde já tinha aliados e em outras onde ainda precisava conquistar confiança.
Algumas sementes deram frutos maiores.
Outras menores.
Mas o mapa mostra que muitas germinaram.
Agora começa a parte mais difícil.
Cuidar da plantação.
Porque o eleitor que entregou o voto longe do “ninho político” não quer apenas fotografia de campanha.
Quer presença.
Quer estrada.
Quer saúde.
Quer educação.
Quer emprego.
Quer obras.
Quer representação.
E, principalmente, quer saber se aquele candidato que chegou à sua cidade pedindo voto vai voltar depois de eleito para prestar contas.
Janjão agora tem 67.479 motivos para trabalhar.
E tem outros milhares de motivos espalhados por 162 municípios para não esquecer que seu mandato não termina em Bom Jardim.
O 55222 nasceu politicamente no Agreste Setentrional. Mas as urnas mostraram que ele já ultrapassou o tamanho do próprio ninho.
Agora é transformar semente em presença, presença em mandato e mandato em resultado.
Porque, depois de uma eleição dessas, Janjão já não pode pensar pequeno.
O mapa mudou. E o tamanho da responsabilidade também. É essa a história do professor de matemática de Bom Jardim que agora é Deputado de todos os Pernambucanos.
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