sábado, 17 de outubro de 2026

LULA REBATE CRÍTICAS AO FIM DA ESCALA 6X1 E DIZ QUE CULPAR TRABALHADOR POR CRISE ECONÔMICA É “MENTIRA”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do fim da escala de trabalho 6x1 nesta sexta-feira (16), durante cerimônia de promulgação da medida, no Senado Federal. Em discurso, o petista rebateu as críticas de setores empresariais sobre os possíveis impactos econômicos da mudança e afirmou que responsabilizar o trabalhador por uma eventual crise seria uma “mentira”.

“ Tentar jogar nas costas do trabalhador, que vai ter um dia a mais pra descansar, uma crise é uma mentira”, declarou Lula, ao defender que a ampliação do descanso não deve ser tratada como ameaça à economia.

A discussão sobre o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem um dia de folga, tornou-se um dos principais temas do debate político e econômico no país. Enquanto defensores da proposta destacam a qualidade de vida dos trabalhadores, representantes de setores empresariais manifestam preocupação com o aumento dos custos e os efeitos sobre a organização das atividades.

LULA COMPARA DEBATE A OUTRAS CONQUISTAS TRABALHISTAS

Durante o pronunciamento, Lula argumentou que mudanças históricas nas relações de trabalho também enfrentaram resistência antes de serem incorporadas à legislação e à rotina das empresas.

O presidente citou a conquista das férias de 30 dias e ironizou os argumentos utilizados no passado por representantes do empresariado para questionar o benefício.

“Toda vez que a sociedade conquista alguma coisa, aparece uma turma dizendo que não vai dar certo. Não tem uma conquista do povo trabalhador em que não aparece alguém dizendo que vai quebrar o país”, afirmou.

Na avaliação do petista, garantir mais tempo de descanso é uma questão que ultrapassa a discussão financeira e envolve dignidade, convivência familiar e qualidade de vida.

“Ninguém quer que uma empresa quebre, mas ninguém quer que o trabalhador morra por falta de descanso”, declarou.

ESCALA 6X1 ENTRA NO CENTRO DA DISPUTA POLÍTICA

O fim da escala 6x1 também ganhou peso no cenário eleitoral. Lula tem utilizado a defesa de melhores condições de trabalho como uma das bandeiras de seu discurso no segundo turno da disputa presidencial, no qual enfrenta Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o texto original, Flávio, que anteriormente fazia críticas à proposta, passou a manifestar apoio à medida nos últimos dias, colocando o tema também no campo da disputa entre os candidatos.

Ao defender a mudança, Lula questionou o modelo de sociedade que não assegura ao trabalhador tempo suficiente para descansar e conviver com a família.

“Se a gente não garantir o direito de o ser humano descansar, levar a criança em uma praça, que tipo de seres humanos somos?”, questionou.

O DESAFIO É CONCILIAR DIREITOS E CUSTOS

A discussão sobre a jornada de trabalho continua dividindo opiniões. De um lado, defensores do fim da escala 6x1 sustentam que mais descanso pode contribuir para a saúde, o bem-estar e a vida familiar dos trabalhadores. De outro, setores empresariais alertam para a necessidade de avaliar os custos, a produtividade e as condições específicas de cada atividade econômica.

O discurso de Lula reforça a tentativa do governo de colocar a valorização do trabalhador no centro do debate nacional. Em ano eleitoral, a discussão sobre a jornada também se transforma em argumento político, com impacto direto na relação dos candidatos com trabalhadores, empresários e eleitores.

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