quarta-feira, 7 de outubro de 2026

MATUTOS DA MUDANÇA MAIS QUE DOBRAM VOTAÇÃO DE DÉBORA ALMEIDA E ACENDEM ALERTA NA POLÍTICA DE JUCATI

Por Blog do Edney

Em Jucati, no Agreste de Pernambuco, a eleição deixou um recado que a política local não poderá ignorar. E quem deu o recado foi justamente quem, durante a campanha, muitos poderiam imaginar que teria pouca força para incomodar.

Conhecido como “Matutos da Mudança”, o grupo liderado pelo comerciante e agricultor Cláudio Cardoso mais que dobrou a votação da deputada estadual Débora Almeida (PSD) no município e colocou a oposição novamente no radar da disputa política local.

Débora saiu de 720 votos na eleição anterior para 1.660 votos agora. Foram 940 votos a mais, um crescimento de aproximadamente 131%. O número, por si só, já chama atenção. Mas o peso político da votação aumenta quando se observa que o grupo trabalhou com uma estrutura considerada enxuta, poucos recursos e apostando principalmente no corpo a corpo com o eleitor.

Foi na conversa, na visita, na presença e na mobilização das bases que os chamados “matutos” construíram o resultado.

E tem mais.

A votação de Débora ficou a apenas 375 votos do candidato apoiado pelo governo municipal, uma diferença que mostra que a oposição não está tão distante quanto alguns imaginavam. Na Vila Neves, a deputada foi majoritária, outro dado que reforça a capacidade de penetração eleitoral construída pelo grupo.

O resultado também ganha outro significado diante do tamanho da estrutura política do bloco governista, que conta com a maioria dos vereadores e um conjunto de lideranças ligadas à administração municipal.

Mesmo assim, os “Matutos da Mudança” conseguiram entregar uma votação expressiva e, principalmente, mostrar que existe uma parcela do eleitorado disposta a ouvir uma alternativa.

Nos bastidores, a eleição já começou a produzir as primeiras provocações. Nas redes sociais, integrantes da oposição reagiram a uma tentativa de comparar a votação de Débora com a soma de candidatos apoiados por diferentes setores do grupo governista. A resposta foi direta: para os oposicionistas, cada candidato precisa ser analisado pela votação que efetivamente recebeu nas urnas.

E é justamente aí que mora o incômodo político.

Porque quando uma oposição pequena consegue sair de 720 para 1.660 votos, não se trata apenas de uma votação parlamentar. É um sinal de que existe organização, militância e espaço para crescimento.

Cláudio Cardoso e seus aliados saem da eleição com um ativo político que antes não tinham: números.

Agora, o grupo terá que transformar essa votação em organização permanente, ampliar alianças e mostrar que o desempenho eleitoral não foi um episódio isolado. Se conseguir fazer isso, a conversa sobre a política de Jucati poderá mudar de tom nos próximos meses.

Por enquanto, fica o aviso deixado pelas urnas.

Podem chamar de “Matutos da Mudança”.

Mas, como resumiu um integrante do grupo, numa frase que já circula nos bastidores políticos de Jucati: “podem até chamar a gente de matutos, mas de bestas a gente não tem nada.”

E as urnas, pelo visto, resolveram assinar embaixo.

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