Juliana de Chaparral lidera votação feminina no estado, enquanto Lucas Ramos, Renildo Calheiros e Miguel Coelho ficam na suplência
A eleição de 2026 em Pernambuco deixou um recado claro para a política tradicional: sobrenome conhecido, mandato anterior e experiência eleitoral já não são garantias de permanência no poder. Na disputa pelas 25 vagas da Câmara dos Deputados, as mulheres ampliaram seu espaço e ajudaram a redesenhar a representação política do estado em Brasília.
O destaque ficou para Juliana de Chaparral, do União Brasil, que conquistou 183.089 votos e se tornou a mulher mais votada de Pernambuco para deputada federal. Mas a mudança não parou por aí. Eliane Soares, Liana Cirne e Clarissa Tércio também tiveram papel decisivo na composição das bancadas de seus partidos e federações, enquanto nomes tradicionais terminaram a disputa fora da lista dos eleitos.
Entre os que ficaram pelo caminho estão Lucas Ramos, do PSB, Renildo Calheiros, do PCdoB, e Miguel Coelho, do União Brasil. Três trajetórias políticas consolidadas que agora terão de recalcular os próximos passos.
NO PSB, ELIANE SOARES SUPERA LUCAS RAMOS
A disputa dentro do PSB terminou com quatro representantes eleitos para a Câmara Federal. Pedro Campos obteve 261.555 votos, Felipe Carreras recebeu 148.971, Gabriel Porto alcançou 114.860 e Eliane Soares garantiu a última vaga da legenda, com 102.396 votos.
Lucas Ramos, que já havia exercido dois mandatos como deputado estadual e ocupava uma cadeira na Câmara Federal desde 2023, recebeu 71.964 votos. A diferença entre ele e Eliane foi de 30.432 votos, suficiente para deixar o parlamentar na suplência.
O resultado também representa uma redução na força parlamentar socialista. Em 2022, o PSB havia conquistado cinco cadeiras em Pernambuco. A partir de 2027, serão quatro deputados federais eleitos pela legenda.
LIANA CIRNE PASSA RENILDO CALHEIROS NA FEDERAÇÃO
Na Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, a disputa também produziu uma mudança importante. Rosa Amorim foi eleita com 144.101 votos, seguida por Carlos Veras, com 133.118, Clodoaldo Magalhães, com 92.229, e Liana Cirne, que garantiu a quarta cadeira com 85.039 votos.
Renildo Calheiros, do PCdoB, recebeu 74.296 votos e ficou como suplente. Foram 10.743 votos a menos que Liana, que conseguiu ampliar significativamente seu desempenho eleitoral em comparação com 2022, quando havia recebido 57.284 votos.
Renildo também cresceu nas urnas, passando dos 59.686 votos da eleição anterior para 74.296 em 2026. Mesmo assim, o aumento não foi suficiente para assegurar a renovação do mandato. Na disputa proporcional, crescer em votação individual não significa necessariamente conquistar uma cadeira.
JULIANA DE CHAPARRAL FAZ HISTÓRIA, MAS CLARISSA TÉRCIO DEFINE A ÚLTIMA VAGA
Na Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, Juliana de Chaparral foi o grande nome da disputa. Com 183.089 votos, ela liderou a votação do grupo e se consolidou como a mulher mais votada de Pernambuco para a Câmara Federal.
A federação conquistou quatro cadeiras. Além de Juliana, foram eleitos Lula da Fonte, com 147.913 votos; Fernando Filho, com 124.147; e Clarissa Tércio, com 110.608 votos.
O resultado deixou Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e presidente estadual do União Brasil, na primeira suplência, apesar dos 102.595 votos recebidos.
Juliana terminou com 80.494 votos a mais que Miguel. Entretanto, na disputa direta pela quarta e última cadeira da federação, o nome decisivo foi Clarissa Tércio, que superou Miguel por 8.013 votos.
A diferença é importante para entender o resultado: a votação expressiva de Juliana fortaleceu o desempenho da federação, mas foi Clarissa quem ficou imediatamente à frente de Miguel na definição das quatro vagas conquistadas pelo grupo.
BANCADA FEMININA PASSA DE TRÊS PARA SEIS DEPUTADAS
O avanço das mulheres aparece de forma ainda mais clara no resultado geral. Pernambuco saiu de três deputadas federais eleitas em 2022 para seis em 2026. A bancada feminina passou de 12% para 24% das 25 cadeiras destinadas ao estado.
As eleitas são Juliana de Chaparral, Rosa Amorim, Clarissa Tércio, Iza Arruda, Eliane Soares e Liana Cirne. Clarissa e Iza renovaram seus mandatos, enquanto as outras quatro passam a integrar a bancada federal a partir da próxima legislatura.
A mudança representa uma ampliação da presença feminina na política pernambucana e demonstra que candidaturas competitivas conseguiram conquistar espaço dentro de partidos e federações que também abrigavam parlamentares experientes.
A REGRA DO JOGO TAMBÉM EXPLICA O RESULTADO
É importante destacar que, na eleição proporcional, nenhum candidato conquista uma cadeira simplesmente por superar outro concorrente em uma disputa individual. O número de vagas de cada partido ou federação depende do resultado coletivo, conforme as regras eleitorais, e os candidatos ocupam essas cadeiras de acordo com a ordem de votação e os critérios legais aplicáveis.
Por isso, dizer que uma mulher diretamente tirou o mandato de um homem simplifica uma disputa mais complexa. O que os números mostram é que Eliane Soares terminou à frente de Lucas Ramos no PSB, Liana Cirne superou Renildo Calheiros na Federação Brasil da Esperança e Clarissa Tércio ficou à frente de Miguel Coelho na União Progressista.
O recado político, porém, é incontestável. Pernambuco terá uma bancada feminina maior em Brasília, enquanto nomes que já ocuparam espaços importantes na política estadual precisarão buscar novos caminhos.
Juliana de Chaparral sai das urnas como um dos grandes destaques da eleição, mas o fenômeno é mais amplo: as mulheres avançaram, conquistaram espaço nas chapas e mudaram a composição da representação pernambucana na Câmara Federal. Para quem ficou na suplência, a eleição de 2026 mostrou que tradição política ajuda, mas não resolve tudo quando chega a hora de contar os votos.
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