Tem gente que entra na política pela porta da frente. Tem gente que chega carregado por sobrenome, grupo político, estrutura eleitoral ou tradição familiar.
E tem gente que decide abrir a própria estrada.
Janjão chega à Assembleia Legislativa de Pernambuco aos 39 anos levando para a Alepe uma história que começou muito longe dos grandes centros de poder. Professor de matemática, ex-prefeito de Bom Jardim e agora deputado estadual eleito, João Francisco da Silva Neto transformou uma trajetória municipal em um projeto político que ultrapassou as fronteiras de sua cidade.
E os números das urnas mostram o tamanho desse salto: 67.479 pernambucanos depositaram seu voto em Janjão, colocando o nome do ex-prefeito de Bom Jardim na 16ª posição entre os 49 deputados estaduais eleitos. Dentro do PSD, partido da governadora Raquel Lyra, Janjão terminou como o um dos mais votados da legenda.
Mas talvez o número mais importante não esteja apenas na quantidade de votos.
Está no caminho percorrido para chegar até eles.
Janjão tinha uma situação confortável. Era prefeito de Bom Jardim e tinha pela frente um mandato que iria até 2028. Mesmo assim, em abril deste ano, renunciou ao cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. O vice-prefeito Arsênio do Minério assumiu a Prefeitura após a renúncia.
Foi uma troca de cadeira que representou muito mais do que uma mudança de endereço político.
Saiu da Prefeitura para tentar construir um mandato estadual.
Saiu de uma posição já conquistada para entrar numa disputa muito mais ampla, na qual precisaria fazer seu nome circular por Pernambuco.
E conseguiu.
Durante a campanha, Janjão apresentou sua candidatura como uma tentativa de levar para outras regiões a experiência acumulada no Agreste Setentrional. Na convenção que oficializou seu nome, ele próprio resumiu sua escolha dizendo que nunca havia escolhido o caminho mais fácil, mas o caminho do trabalho.
Essa frase ajuda a entender o personagem político que chega agora à Alepe.
O professor de matemática virou prefeito.
O prefeito virou liderança regional.
E a liderança regional atravessou as fronteiras do seu território eleitoral.
É justamente aí que está uma das marcas mais interessantes dessa eleição.
Janjão recebeu votos em municípios onde, até pouco tempo atrás, seu nome tinha pouca ou nenhuma presença política. A campanha foi uma espécie de expedição eleitoral pelo interior de Pernambuco, levando o número 55222 para regiões onde ele ainda precisava transformar desconhecimento em confiança.
Não foi uma eleição restrita a Bom Jardim.
Foi uma eleição de expansão.
O resultado também coloca Janjão diante de uma nova responsabilidade. Na Prefeitura, sua atuação estava concentrada em um município. Na Alepe, o mandato passa a ter dimensão estadual.
E existe uma diferença fundamental entre as duas funções: prefeito administra uma cidade; deputado estadual precisa construir pontes entre diferentes municípios, regiões e demandas.
É nesse novo cenário que começa o segundo capítulo da carreira política de Janjão.
Aos 39 anos, professor por formação e político de trajetória relativamente curta em comparação com nomes tradicionais da política pernambucana, ele chega ao Legislativo estadual depois de uma eleição que ampliou significativamente seu raio de atuação.
Antes, o nome estava associado principalmente a Bom Jardim e ao Agreste Setentrional.
Agora, está registrado entre os 49 nomes que formarão a próxima composição da Assembleia Legislativa de Pernambuco.
E há uma imagem que talvez resuma melhor essa trajetória:
Janjão não chegou à Alepe porque o caminho era fácil. Chegou porque decidiu sair da zona de conforto.
Renunciou ao mandato de prefeito.
Entrou numa disputa estadual.
Percorreu novas regiões.
Apresentou seu nome onde ainda era pouco conhecido.
E terminou eleito com mais de 67 mil votos.
A partir de agora, o desafio muda de tamanho.
O prefeito de Bom Jardim ficou para trás.
O professor que entrou na política municipal ficou para trás.
Na Alepe começa uma etapa diferente: a de transformar uma votação estadual em atuação parlamentar estadual.
Se a primeira parte da história foi construir um nome, a próxima será mostrar o que esse nome será capaz de construir dentro do Legislativo pernambucano.
Na Lupa, o fato é um só: Janjão saiu de Bom Jardim para disputar Pernambuco — e a urna confirmou que seu nome já não cabe apenas dentro das fronteiras de sua cidade e de sua região, seu nome é de Pernambuco que o abraçou.
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