quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O TRABALHO DA PACIFICAÇÃO COMEÇA DENTRO DO PSD


Raquel Lyra terá de administrar as pretensões da própria bancada antes de buscar os votos dos outros partidos para a presidência da Alepe.

A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco já começou a mostrar que o caminho até o consenso não será construído apenas nos corredores da oposição. O primeiro trabalho de pacificação da governadora Raquel Lyra terá de acontecer dentro da própria casa, mais precisamente no PSD, partido que reúne quatro nomes dispostos a comandar o Legislativo estadual.

Na reunião com o chefe da Casa Civil, Aglailson Victor, Antônio Moraes, Débora Almeida e Joãozinho Tenório colocaram seus nomes à disposição para a disputa. São quatro pretensões dentro de uma mesma legenda, e nenhuma articulação será completa enquanto o partido não encontrar uma saída capaz de acomodar os interesses e preservar a unidade da bancada.

Raquel sabe que uma eleição para a presidência da Alepe exige mais do que força política e disposição para negociar. Exige habilidade para juntar interesses diferentes em torno de um mesmo projeto. Se a governadora pretende defender um nome do PSD, terá primeiro de fazer o dever de casa, abrir o diálogo e conduzir uma construção na qual a escolha de um não se transforme em insatisfação dos demais.

O desafio não é apenas escolher um candidato. É pacificar o caminho até a escolha.

Depois de resolver a equação interna, virá a etapa de conversar com os demais partidos, buscar apoios e construir a maioria necessária para garantir a eleição. A presidência da Assembleia não se resolve apenas com a vontade do Palácio, porque os votos pertencem aos deputados e o resultado depende da capacidade de articulação entre as diferentes forças políticas.

É aí que entra o trabalho da pacificação. Raquel precisará demonstrar que consegue transformar quatro projetos individuais em uma candidatura de consenso, sem deixar feridas abertas dentro do próprio grupo. Uma negociação mal conduzida pode produzir ruídos justamente no momento em que o governo precisa ampliar sua interlocução com o Legislativo.

Na política, reunir aliados é importante. Mantê-los unidos quando chega a hora de dividir espaços é um teste ainda maior. A governadora tem pela frente uma tarefa que começa dentro do PSD e só termina quando houver entendimento suficiente para levar a disputa ao plenário.

NA LUPA: antes de costurar os votos de fora, Raquel Lyra terá de pacificar os de dentro. A presidência da Alepe começa a ser decidida muito antes da votação: começa na mesa de negociação, na capacidade de ouvir os aliados e na disposição de construir um consenso sem transformar a disputa em divisão.

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