terça-feira, 13 de outubro de 2026

OS CALOS DE JOÃO CAMPOS: OPOSIÇÃO APROVEITOU PONTOS DE DESGASTE E GANHOU ESPAÇO POLÍTICO

A trajetória de João Campos (PSB) nas eleições de 2026 foi marcada por um cenário de forte contestação na Região Metropolitana do Recife. Quatro adversários se destacaram nas críticas ao ex-prefeito, levando questionamentos sobre sua administração para as redes sociais, os debates políticos e as ruas. O movimento ajudou a manter a gestão municipal sob pressão durante o período eleitoral.

Na Câmara Municipal do Recife, Eduardo Moura (Novo) e Tiago Medina (PL) transformaram cobranças à administração em uma das principais frentes de atuação política. Além dos discursos no Legislativo, os dois divulgaram críticas nas redes sociais e visitaram obras para mostrar problemas e situações que consideravam merecedoras de explicações. A atuação ganhou novo peso com o resultado das urnas: ambos conquistaram vagas na Câmara dos Deputados.

Fora da capital, Ni do Badoque (PSD) e Manoel Medeiros (Novo) também marcaram posição contra João Campos. Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Ni obteve 32.854 votos, enquanto Manoel somou 5.145. Os dois ficaram na suplência, mas continuam no jogo político e trabalham para ampliar sua presença de olho na disputa municipal de 2028.

O embate, porém, teve uma protagonista de alcance estadual. Raquel Lyra (PSD), adversária de João Campos na corrida pelo Governo de Pernambuco, também entrou nessa equação política e terminou a eleição reeleita governadora.

Os números do Recife ajudam a dimensionar a diferença entre as duas disputas enfrentadas por João Campos. Em 2024, na eleição para prefeito, ele recebeu 725.721 votos na capital. Dois anos depois, concorrendo ao Governo de Pernambuco, contabilizou 473.994 votos no mesmo município. A redução foi de 251.727 votos.

É importante considerar que as duas eleições tiveram características diferentes e não permitem uma comparação direta sem ressalvas. Ainda assim, a diferença chama atenção e alimenta questionamentos sobre o alcance eleitoral do socialista para além da disputa municipal.

No balanço político, os calos de João Campos passaram pelas cobranças à gestão do Recife, pela atuação de adversários que deram visibilidade aos problemas apontados e pelo confronto direto com Raquel Lyra em uma eleição estadual. Os quatro nomes tiveram trajetórias e resultados distintos, mas integraram o grupo de vozes que fizeram oposição ao ex-prefeito.

O resultado deixa uma questão no ar: até que ponto a aprovação de um gestor na capital consegue se transformar em votos quando a disputa envolve todo o estado? Os números de 2026 colocam esse debate na mesa e mostram que a força eleitoral de João Campos no Recife não se repetiu na mesma dimensão quando ele disputou o Governo de Pernambuco.

Nos bastidores da política, os calos também ensinam. E João Campos agora tem números e adversários para avaliar.

Edney Souto | Blog do Edney — Você atualizado o tempo todo.

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